SOUVENIR


Lembranças guardadas pela música

No passado, Liliane Cheverny foi uma famosa cantora que representou a França no Concurso Europeu de Música sob o codinome de Laura, interpretada pela premiada Isabelle Huppert, nomeada ao Oscar de Melhor Atriz de 2017 pelo filme Elle (Paul Verhoeven, 2016).


Souvenir, que dá título ao filme, é o nome da música escolhida para a final do concurso e que a tornou famosa em toda a França. Também poderia muito bem remeter à lembrança da sua fama e prestígio perdidos pela vitória da banda sueca ABBA, terminando por trabalhar numa fábrica de patê e beber whisky após o serviço.


Sua rotina anônima é quebrada pelo jovem - aspirante a boxeador profissional - Jean (Kévin Azais) que cresceu ouvindo Laura graças ao pai, interpretado por Eddy Leloup. A partir daí, começa a busca pelo seu retorno, seja cantando numa festa da academia de luta, seja descoberta pelos repórteres trabalhando na linha de montagem para descobrir que seus novos e antigos fãs nunca a esqueceram.


Laura e a música são souvenirs. Todos concordam com a injusta derrota no concurso, o que a motiva a dar tudo de si pela música como entrar em contato com o antigo empresário - e ex-namorado - Tony Jones (Johan Leysen), até criar uma música-ícone.


Para contar essa história de comédia romântica - sobre ídolo e fã - e drama sobre retorno ao estrelato, o estreante diretor, roteirista e produtor belga Bavo Defurne faz uso de enquadramentos centralizados e abertos, fazendo os personagens terem atenção do espectador, haja movimentação ou não.


Assim como a paleta de cores escolhida são vermelho, azul e branco. Vermelho para ilustrar o romance entre Laura e Jean, tendo como obstáculo a mãe de Jean (Anne Brionne), o azul representa o novo, o início, através do jovem fã e o branco - oriundo das luzes, das paredes brancas e do empresário Tony Jones - pontua a marcação de momentos importantes para o fluxo do filme como a transição de atos e o subtexto de diálogo e ação. Em contrapartida, temos o marrom - da glória e do estrelato passado - predominante em todo filme, muito presente no pano de fundo ao lado da tríplice de cores.


A trilha-sonora é pontuada pela pausa e frenesi na composição das músicas Souvenir e Joli Garço, essa influência contrastante vem do diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer e possui função semelhante com a cor branca no filme. Dreyer era conhecido por pontuar cenas importantes do filme através da trilha sonora.


Para quem for assistir, espere uma história de amor repleta de opostos e contrastes jovem/velho, fama/anonimato, silêncio/nota alta em meio a tomadas rápidas conforme a história se desenvolve.

Laura nos mostra as consequências do abandono dos sonhos e da importância de se permitir

começar de novo. Até mesmo, rever o filme.

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