O MUNDO FORA DO LUGAR (Die Abhandene Welt)


O Mundo Fora do Lugar é o mais recente trabalho de Margarethe von Trotta. A diretora e roteirista alemã já nos deu filmes importantes sobre grandes mulheres da história, como Rosa de Luxemburgo, de 1985, e Hannah Arendt, de 2012. Foi casada e trabalhou como codiretora com Volker Schlöndorff, importante cineasta do novo cinema alemão. Trabalhou como atriz em muitos filmes, inclusive de Rainer Werner Fassbinder, a grande figura de renovação do cinema alemão nos anos 1970.


Tem em Barbara Sukowa sua atriz favorita e foi ela quem encarnou tanto Rosa de Luxemburgo quanto Hannah Arendt. Em O Mundo Fora do Lugar, Barbara Sukowa é novamente protagonista, mas não encarna uma figura histórica. Aqui ela faz a diva da ópera, Caterina Fabiana, vivendo em Nova York, descoberta pela Internet por Paul Kromberger (Mathias Habich), por ser muito parecida com sua falecida esposa, Evelyn, o que acaba levando Sophie (Katja Riemann), filha de Paul, a uma viagem a partir da Alemanha, em busca de conhecer essa mulher.


É bom parar a informação sobre a trama do filme por aqui, para não prejudicar ou antecipar coisas a quem for assistir. O Mundo Fora do Lugar segue uma narrativa linear, mas carregada de mistérios desde o primeiro momento. É preciso se concentrar para não deixar passar informações sobre os personagens, quem são e que relação têm entre si. E o que viveram no passado.

A história vai se formando, pouco a pouco. O mistério vai sendo compreendido. Mas, ainda assim, são muitas as surpresas que aparecem, em cada etapa da narrativa. As coisas são bem mais complicadas do que podem parecer. É preciso permanecer atento. O que se vê é a construção de uma trama muito bem engendrada, que o filme vai revelando. Quem gosta de deslindar uma boa história vai certamente apreciar.


Destaca-se, além de Barbara Sukowa, sempre muito boa, Katja Riemann que, com muita competência, estrela o filme, estando em cena quase todo o tempo. O restante do elenco também está muito bem, mesmo sem ter a importância dos dois papéis femininos principais. A cena da briga física entre dois irmãos já anciões, muito bem construída e divertida, é uma prova disso.


O roteiro realmente coloca aquele mundo todo fora do lugar, mas a produção alemã tem tudo sob seu controle, funcionando muito bem. Como seria de se esperar, por sinal.


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