O SONHO DE GRETA (Girls Asleep)


O pesadelo da debutante

É o primeiro trabalho da diretora e coprodutora Rosemary Myers com roteiro feito a partir de uma peça teatral escrita pelo próprio ator Matthew Whittet (Beleza Adormecida, 2011). O longa-metragem trabalha a chegada da adoslecência sem apelar para o uso de drogas e a sexualidade sutil através do fantástico e do surrealismo na segunda metade. Lembra o tcheco Valerie e a Semana das Maravilhas (Jaromil Jires, 1970) ao mesclar Alice no País das Maravilhas - de Lewis Carrol - e O Chapeuzinho Vermelho, dos Irmãos Grimm.


Greta Driscoll (Bethany Whitmore) é a aluna nova e antissocial escolhida para ser a melhor amiga de Jade (Maiah Stewardson), mas recusa por descobrir as suas intenções, então inicia a amizade com Elliot (Harrison Feldman), o esquisitão afeminado. Com a chegada do seu décimo quinto aniversário, aceita contra a vontade uma festa estilo discoteca, com direito a convidados da escola e um vestido decotado. Detesta a ideia de dizer adeus à sua infância.


Após uma humilhação de Jade e a declaração amorosa de Elliot, ela toma um choque elétrico e adormece. É despertada por uma criatura que rouba sua caixinha de música e refugia-se na floresta, dando início à busca pelo tesouro mais precioso da infância com a ajuda da caçadora Huldra (Tilda Cobham-Hervey)

O enquadramento centralizado como foco da ação da protagonista e dos personagens secundários lembra bastante a estética de Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012) junto com a predominância das cores vermelha e amarela, remetendo à chegada do outono da vida de Greta em contraste com a falta de luz na floresta rodeando sua casa, assim como a atuação do elenco. O som ambiente constantemente invadido por latidos e uivos vindos de animais ou seres humanos.


A caracterização das criaturas mágicas é muito simples em figurino e maquiagem, como se uma criança fosse responsável pela direção de arte. Para colaborar com a metáfora do amadurecimento da personagem, há atores com papeis duplos transitando entre realidade e sonho. Mãe/Mulher Congelada (Amber McMahon), Pai/Homem do Pântano (Matthew Whittet) e o cunhado/cantor Benoit Tremet (Eamon Farren), técnica do gênero fantasia consagrada pelo clássico O Mágico de Oz (Victor Fleming, 1939).


A obra é um conto de fadas moderno sobre o conflito pessoal do crescimento. Embora aborde o feminismo adolescente, sua mensagem sobre a passagem da vida também é dirigida aos rapazes. Afinal, todos sofreram mudanças ao longo da vida, gostos mudam e ficam, há perdas e ganhos e, principalmente, alguns sofrem com a falta de compreensão, o mau entendimento e a pouca ajuda disponível.


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