PAIXÃO OBSESSIVA (Unforgettable)


Muita obsessão para pouca paixão

Filmes que exploram ciúmes doentios, desejos de dominação e paixões avassaladoras que quase sempre terminam de forma trágica existem aos montes. No entanto, poucos são excepcionais, caso do clássico suspense de 1992, A mão que balança o berço, do diretor norte-americano Curtis Hanson, onde uma mulher se faz passar por babá para poder tomar o lugar da patroa em sua estranha fixação pela vida dela. Ou no também estupendo Louca Obsessão, do diretor Rob Reiner, de 1990, onde Kathy Bates (A Chefa, 2016) arrasa no papel de uma fã louca que sequestra seu ídolo e o faz passar por terríveis torturas.


Neste novo filme da produtora e agora diretora Denise Di Novi (Os Jetsons - o filme, 2016), veterana em produzir dramas lineares cotidianos sem grandes novidades. O tema abordado é a fixação de uma ex-mulher pela nova namorada do ex-marido bonitão. No entanto, o que sobra são os clichês.


Paixão Obsessiva acaba não empolgando, repetindo os mesmos recursos utilizados em tramas de suspense onde ataques de obsessão e fixação entre os personagens predominam.


A história se passa numa pequena cidade americana, onde Júlia (Rosario Dawson) - em uma atuação estável mas boa - é uma bem sucedida editora que se muda para ir morar com David (Geoff Stults), um empresário local. Ao conhecer a filha pequena do rapaz, ela também é apresentada à ex-mulher de David - Tessa - aqui interpretada com maestria por Katherine Heigl (Casamento de Verdade, 2014), mais conhecida por seus papeis em comédias românticas e que aqui, talvez seja a maior novidade do filme.

Tessa encarna a visão típica da americana perfeita: loura, magra, rica, constantemente preocupada com a aparência, no entanto é vazia e carente. Tanto que chega à beira da loucura com sua fixação pela vida do ex.


A partir do momento em que Júlia passa a fazer parte da vida de David, Tessa - que já possui um histórico psiquiátrico não favorável - resolve não deixar mais o casal em paz. Passa a visitá-los frequentemente com a desculpa de que só vai pela filha. Mente, dissimula e até mesmo finge ser empurrada da escada (a velha escada mortal) pela nova rival. Inferniza tanto Júlia que chega ao ponto de entrar em contato com o violento "ex" da editora - que ela nunca mais pretende encontrar - na tentativa de arruinar por completo a vida da moça. Acaba tratando-se de uma história de suspense em que todos nós em algum momento já vimos.


Talvez porque só tenha trabalhado com produções de roteiros mornos, Denise Di Novi tenha apenas reproduzido como diretora a sua experiência com produção. A montagem é simples e linear, com exceção do início quando Julia conta toda a história através de um flashback. A fotografia também não explora tanto, mas faz seu papel em um filme básico de suspense. No fim das contas, é mais um entre tantos suspenses iguais.


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