ALIEN: COVENANT (idem)


Alien Covenant: apenas uma aposta comercial

Em Alien: Covenant - o nem tão novo filme do diretor Ridley Scott - somos apresentados à história dos primórdios do surgimento da icônica criatura visceral (com toda a barriga que se tem direito), que deu origem ao ótimo clássico Alien, o Oitavo Passageiro (1979). Apostando num monótono 1º ato de longos diálogos e pausas dramáticas, aqui a comilança do bicho demora a acontecer, o que torna um breve cochilo inevitável, já que o convidado tão aguardado - como não era de se esperar - demora a aparecer.


Esse filme cruza-se com o penúltimo projeto do diretor, Prometheus (2012), trazendo mais uma vez o androide David (Michael Fassbender), que compõe uma polaridade interessante com a sua outra parte, Walter. Atrevo-me a dizer que a leitura shakespeariana de Scott em torno dos dois personagens é bastante assertiva para estabelecer o destino trágico dos demais. Fiquem atentos a uma cena específica em que o reflexo de David surge transfigurado num objeto reluzente, à meia luz. Uma metáfora distorcida do significado da vida, que faz referência ao Alien.


Quando a expedição da Covenant adentra as densidades mais profundas do misterioso planeta, tem início o matadouro em série. Cada tripulante cai numa espiral de armadilhas e fugas para fugir da perseguição da criatura, que simboliza a vingança dos deuses diante da ganância humana por novos territórios. Por isso, entende-se a veneração e o respeito de David por ela. Daniels (Katherine Waterston) - a protagonista - é uma tentativa frustrada de gerar impacto afetivo no público, pois sua motivação e superação são pobres se comparados à Ripley (Sigourney Weaver).


Vindo de uma sequência Science Fiction repleta de discursos místicos (Prometheus) e resilientes (Perdidos em Marte), Scott entrega desta vez um filme de terror raso e arrastado em sua progressão, mais interessado na garantia comercial do projeto do que na profundidade dos personagens envolvidos, com exceção de David e Walter, que dão ao desfecho uma revelação tensa já no derradeiro 3º ato, quando não sabemos quem de fato triunfou. A experiência com o facehugger desta vez não é tão interessante, e neste caso seria bem mais digerida se fosse requentada com o mesmo tempero do primeiro filme.