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A VIAGEM DE FANNY (Le Voyage de Fanny)

  • 12 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Tensão pelo olhar infantil

Há muitas histórias fortes de pessoas em situações vivenciadas na Segunda Guerra Mundial. Uma época tensa em que ideologias ditavam atrocidades renegando a razão em relação à existência humana. O cinema busca seus enredos em diversas épocas de diversas sociedades, e esse período até hoje rende boas experiências, se bem feitas.


Onde há conflito, o ser humano mostra suas facetas. As peripécias para se manter vivo geram a empatia necessária para se acompanhar sua trajetória enquanto público cinematográfico. É complexa esta questão em relação ao seu material temático, principalmente quando se trata de uma guerra. Geralmente cria-se uma bifurcação de lados, na qual deve-se fazer uma escolha para quem torcer. Ricas são as obras que quebram este desequilíbrio e instauram dúvidas para se adentrar nas sensibilidades dos pensamentos do porquê fazem o que fazem.

A Viagem de Fanny - terceiro longa-metragem da atriz, diretora e roteirista Lola Doillon (Contre toi, 2010) - traz leveza e vivacidade para uma circunstância pesada, sem perder a atmosfera do fôlego suspenso nos momentos decisivos. Baseado no livro autobiográfico de Fanny Bem-Ami, explora acontecimentos reais vivenciados pela autora juntamente com suas irmãs ao fugirem dos soldados nazistas perseguidores de judeus.


Em quase todo o tempo acompanhamos a trajetória de um grupo de crianças judias nas mais diversas idades entre 7 e 17 anos irem de um lugar a outro pela França com o objetivo de chegarem na fronteira Suíça em busca de segurança. Cada uma com sua personalidade compõe elementos para a história se desenvolver nos seus diálogos e relações entre personagens. Elas retratam decisões adultas para a sobrevivência. Todas estão bem dirigidas e atuam com potencialidade, visceralidade e ao mesmo tempo doçura de uma inocência deslocada em um mundo rígido e ignorante pelo medo.


O que aconteceu no passado deve ser relembrado para que não se cometam os mesmos erros desmedidos e a pluralidade de pontos de vista sobre os fatos concretizadas em obras enriquece o diálogo social vindouro. O universo infantil tem muito a nos mostrar o quanto a brutalidade adulta é tola e desnecessária. Certamente, é um filme que expande seus questionamentos e atravessa o tempo do passado para a atualidade.


 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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