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NA MIRA DO ATIRADOR (The Wall)

  • 24 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Guerra com suspense mostra os EUA dominado


Sob o ponto de vista estadunidense, mas recheado de questionamentos, Na Mira do Atirador - dirigido por Doug Liman (Sr. & Sra. Smith, 2005) - é um filme de guerra onde o inimigo não é visto. Ele se passa em um campo de batalha no Iraque, em 2007, quando o presidente dos EUA na época, George W. Bush, havia declarado ”que a vitória estava próxima”.


Os soldados norte-americanos Shane Matthews (Pai em Dose Dupla, 2015) e Allan Isaac (Animais Noturnos, 2016) estão encurralados, observados por um atirador iraquiano que intercepta a comunicação e tem controle total da situação. Não aparece, mas sabe de tudo. Vez ou outra, o espectador assume o ponto de vista do atirador, com a câmera enquadrada na mira de uma arma, quando é possível ouvir a respiração e muitas vezes o riso irônico dele.


Pelo rádio, o iraquiano se comunica com o soldado Isaac, se fazendo passar por um aliado estadunidense. Apesar de logo ser identificado como inimigo pelo sotaque, o atirador insiste na comunicação como forma de intimidação e chantagem.

Nos diálogos, sequências de generalizações e senso comum, o atirador se diz civil, mas está ali, na guerra. Revela que as ruínas onde o soldado do EUA está era uma escola e que, antes de se tornar um combatente, ele era professor em Bagdá. Inteligente e culto, faz referências ao Coração Delator, de Edgar Allan Poe, texto que aborda a loucura de um homem obsessivo pelo olho de um velho.


O soldado norte-americano diz “nós treinamos vocês”, cita Shakespeare e é zombado pelo iraquiano, que ressalta o repertório limitado e padronizado da cultura dos EUA.

Em outro diálogo, o atirador questiona: “se a guerra acabou, o que vocês estão fazendo aqui?” Sem resposta, emenda “a guerra não acabou!”.


Com poucos atores e um cenário restrito a um campo de guerra, o diretor usa o suspense para manter o interesse do espectador. A narrativa oscila entre a possibilidade iminente da morte e a salvação que vem como um suspiro. O clima de estresse é constante, levando à fadiga não apenas os personagens.

E, como se não bastasse, para causar mais incômodo, a câmera mostra o soldado tirando uma bala da própria perna com um alicate.


Nesse clima de tensão, o filme faz a representação do inimigo onipotente e onisciente que os EUA querem tanto eliminar. Desfecho este que não está perto de acontecer.


 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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