CHOCANTE


A grande sacada

As grandes invenções são aquelas tão simples que fazem com que pensemos: como não pensei nisso antes? O argumento do filme Chocante - criado pelo ator e estreante roteirista em longa-metragem de ficção Pedro Neschling (Para sempre teu, 2014) - é um exemplo disso.


Na trama, uma boy band de muito sucesso na década de 90 formada por Téo (Bruno Mazzeo), Tim (Lúcio Mauro Filho), Clay (Marcus Majella) e Tony (Bruno Garcia) se reúne vinte anos depois por conta da morte do quinto integrante. Após umas cervejas - acompanhados pela tiete Quézia (Débora Lamm) - decidem voltar para fazer apenas um show comemorativo. Para isso, procuram o antigo empresário Lessa (Tony Ramos), que decide incluir Rod (Neschling) no grupo, um vencedor de reality show muito inspirado em A Fazenda (TV Record).


Com uma belíssima produção de Augusto Casé (Depois de Tudo, 2015) que recria programas de auditório como o de Augusto Liberato (o Gugú), imagens em VHS dos integrantes da banda na década de 90 - interpretados por outros atores - e belíssimas sacadas, como a apresentadora Sônia Abrão dando a notícia da morte de um dos integrantes, o filme arranca muitas risadas da plateia.


Sob a direção de Johnny Araújo (O Magnata, 2006) e do estreante em longas Gustavo Bonafé, três personagens se destacam: Rod, Téo e Clay. Rod (Neschling) é um retrato das subcelebridades do momento que passam o dia postando tudo que fazem na internet. Téo (Mazzeo) traz os momentos emotivos que fazem um contraponto com os momentos cômicos, mostrando sua gritante evolução como ator. Porém, quem brilha é Clay (Majella), que é o personagem que se descobriu gay. O ator não deixa de arrancar boas risadas da plateia em uma cena sequer. O elenco ainda tem belas participações de Débora Lamm, Tony Ramos e Klara Castanho.


O roteiro de Neschling, Mazzeo, Rosana Ferrão (Muita calma nessa hora 2, 2013) e da estreante em longas Luciana Fregolente é muito preciso ao apresentar diversas reviravoltas, e em muitas delas quebrando a expectativa do público de forma positiva. É o tipo de filme que a gente realmente não sabe como irá terminar.


Este é mais um exemplo de como o cinema brasileiro está evoluindo, conseguindo encontrar novas formas de se fazer comédia em vez de repetir fórmulas desgastadas. Ao lado de comédias como Divórcio (Pedro Amorim, 2017) e Como se tornar o pior aluno da escola (Fabrício Bittar, 2017), mostra que - com talento - é possível se explorar sempre novas vertentes do humor.


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