YVONE KANE (idem)


Um filme sobre memória e seus abismos


Em tom ficcional, o filme Yvone Kane - dirigido por Margarida Cardoso (Sob o olhar silencioso, 2012) - expõe o relacionamento de mãe e filha, pautado por uma narrativa de constantes perdas e buscas, em meio a questões históricas como colonialismo e guerras civis.


Rita (Beatriz Batarda) - após a morte trágica de sua filha - volta à África para encontrar a mãe, Sara (Irene Ravache), que, quando jovem, foi guerrilheira e ativista política, junto com a amiga Yvone Kane (Mina Andala), assassinada em condições nunca esclarecidas.


Durante sua estada na África, Rita está à procura de respostas e questiona a mãe sobre a distância que ela faz questão de ter dos filhos: “Você mandou os filhos para Londres e nunca mais os buscou”.


Sara é fria e a recebe no aeroporto com um abraço seco. Ela é médica e atende a população local em um convento, onde é vista como uma pessoa arrogante.

Filmado em Portugal e Moçambique, Yvone Kane traz mulheres como personagens principais, dando foco em suas relações. Como pano de fundo, a política, a família e a violência, com destaque para um estupro na residência das freiras, onde um dos envolvidos é o filho adotivo de Sara, Jaime (Herman Jeusse).


Janelas, vidros e imagens refletidas remetem a momentos introspectivos, recheados de ambiguidades. As lacunas das relações familiares deixam constante mistério, mas também fornece munição e elementos para buscas.


Rita descobre que sua mãe está doente. Porém, com interesse em desvendar a morte de Yvone Kane, viaja e não está presente quando ela falece. As perdas importantes de sua vida marcam o início e o fim. O elo é o resgate da memória, seus abismos e angústias.


Face à densidade psicológica dos demais personagens, a verdadeira história sobre a morte de Yvone Kane - homônima ao filme - fica em segundo plano.


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