O INSULTO (L’Insulte)


O filme libanês O Insulto é um dos cinco finalistas na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro. É a primeira produção do Líbano que chega a tanto. Compete com Sem Amor, The Square – A Arte da Discórdia, Corpo e Alma, Uma Mulher Fantástica. É uma proeza estar entre esses títulos de peso. Não que ao tema com que lida falte apelo. Ao contrário, é assunto de todos os dias no noticiário internacional.


Uma divergência absolutamente banal, uma calha que verte água por onde não podia, molhando as pessoas, opõe dois homens. Um, é o mecânico cristão-libanês Tony (Adel Karam). O outro, é o refugiado palestino Yasser (Kamel El Basha). Um desentendimento, um insulto, e tudo vai parar nos tribunais. A partir daí, o conflito não só se estabelece como vai progressivamente se ampliando, para acabar abarcando toda a questão judaico-palestina que envolve o Oriente Médio.


Tema espinhoso, sem solução, tratado com uma certa ingenuidade política. Vamos descobrindo, ao longo das discussões que o filme mostra, que, afinal, os dois contendores em conflito, sofreram ambos violências atrozes. São, portanto, vítimas. O que abre espaço para o discurso da conciliação, como se nessa história toda as coisas simplesmente se equiparassem.


O que falta é o quê? Boa vontade, disposição política? Não é tão fácil assim. Há questões históricas complexas aí envolvidas, fanatismos de todos os tipos: políticos, religiosos, culturais, étnicos. Boas intenções não bastam. Aliás, o próprio filme apresenta esses impasses quando mostra as reações dos grupos envolvidos e representados nas ações dos tribunais, suas repercussões midiáticas e tudo o mais.


As pessoas, individualmente, podem se pacificar, tornarem-se tolerantes, praticar a empatia. Ainda assim, o impasse coletivo continuará lá. O social e o político não são a soma das ações individuais. Assumem outra dimensão que tem de ser encarada e a verdade é que ninguém mais sabe encontrar o tal caminho da conciliação, nem mesmo sabe se, neste caso, ele ainda existe.


O Insulto é bem produzido, mas é um filme absolutamente convencional. Já alcançou uma evidência e um sucesso de público pelo mundo surpreendentes, pelo que oferece.


Leia mais críticas de Antonio Carlos Egypto em: https://cinemacomrecheio.blogspot.com



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