O HOMEM DAS CAVERNAS (Early Man)


Bonito. E só.

Dirigido pelo britânico Nick Park (Shaun - o carneiro, 2015), sua nova animação O Homem das Cavernas vem sendo desenvolvida há dez anos e chega aos cinemas num momento oportuno: um ano de Copa do Mundo de futebol.

O filme conta a história de um grupo de homens da Idade da Pedra que desconhecem o futebol e se veem forçados a aprenderem o esporte para uma disputa com o time da Idade do Bronze, muito mais evoluída e que pretende invadir suas terras.


Responsável por algumas das melhores animações de todos os tempos - como A Fuga das Galinhas (2000) e a franquia Wallace & Gromit (1993 a 2005) - o diretor causa enorme expectativa em cada filme que faz, e exatamente por isso a tendência é ficarmos frustrados, já que nem sempre se faz obras primas. Este é o caso de O Homem das Cavernas.


Rodado no tradicional sistema de animação stop motion - onde bonecos são movimentados e fotografados quadro a quadro -, só o fato de ser realizado como longa-metragem já é algo louvável, uma vez que é um trabalho hercúleo. É provavelmente o tipo de filme mais trabalhoso que existe e não à toa levou tantos anos para ficar pronto. Não resta dúvida de que o diretor continua mantendo a qualidade técnica de seus trabalhos, com excelente acabamento e boas sacadas. O problema está exatamente na base do trabalho: o roteiro. Nada acontece que não seja previsível e a justificativa para que entrem na partida é muito rasa. Há um "cheiro" de Flintstones no ar, uma vez que usam jacarés como pregadores e besouros como barbeadores.

O filme toca em assuntos que poderiam ser desenvolvidos, como o desgastado "empoderamento feminino", ao colocar no time uma mulher - que não é aceita no time pela equipe rival - e não se aprofundar no tema, tão presente nos dias de hoje.


Num bom momento, utiliza um jacaré - numa piada de duplo sentido - que surpreende os adultos sem que as crianças entendam, porém momentos assim são raros. Assim como o alívio cômico do coelho, que comemora a refeição que irão fazer sem se tocar que ele será prato principal, mas logo depois o personagem é posto de lado. Também há uma sátira aos times de futebol europeus - mais precisamente o Barcelona e o Manchester United - com seus jogadores vaidosos e cheios de ego, mas isso também se perde no meio do caminho.


O fato de utilizar-se de diversas licenças poéticas para contar a história não é um problema - da mesma forma que não era em Flintstones -, mas o que torna-se um empecilho são as muitas vezes em que temos que "desligar o cérebro" para conseguir continuar no filme


Se não fosse um filme em produção há uma década, poderia se imaginar que foi feito às pressas para aproveitar o tema futebol - que deveria estar presente no título - e por isso um roteiro tão frágil. Mas sabendo do tempo que tiveram e da experiência do diretor, não há como entender o lançamento de um filme tão previsível.

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