O DOUTRINADOR


Filme de gênero na medida certa

Muito se reclama que o cinema brasileiro não faz filmes de ação que possam disputar o mercado com o cinema americano de super heróis. De olho nesse público, a Paris Filmes e a Downtown lançam o longa-metragem - e também uma série a ser exibida em 2019 no canal Space - adaptado dos quadrinhos com título homônimo O Doutrinador.


Na trama, Miguel (Kiko Pissolato) é um policial cuja filha leva uma bala perdida e morre num hospital público por falta de atendimento. Ao ver o governador Sandro Correa (Eduardo Moskovis) - político corrupto que havia prendido - ser solto, tem um ataque de fúria e o agride até a morte. A partir daí torna-se um justiceiro e sua fama corre solta na mídia. Tem sua identidade descoberta por Nina (Tainá Medina), uma hacker que passa a ajudá-lo em sua missão.


Com uma bela produção, direção de arte e fotografia esmerada de Rodrigo Guedes Carvalho (Minha Vida em Marte, 2017), é um filme feito para agradar aos fãs do gênero. Possui um roteiro raso - como quase todos os filmes de heróis - e atuações "carregadas na tinta", principalmente nas cenas onde os políticos riem como vilões de histórias infantis. Eduardo Moskovis é quem se sai melhor - numa atuação mais naturalista -, já Marília Gabriela (Bellini e o Demônio, 2018), que interpreta a Ministra Marta Regina, está deslocada.


Os efeitos especiais são bons, como na cena em que a população se revolta e os black blocks atacam a polícia com coquetéis molotov. Porém, a cena onde uma famosa capital brasileira é explodida soa a efeitos especiais de filmes brasileiros dos anos 80. As cenas de ação também são muito boas, com bom ritmo e seguram a tensão.


O fato de ter sido produzido um filme e uma série simultaneamente causou um problema de roteiro que tende a desaparecer na versão estendida: personagens mal desenvolvidos, que surgem do nada e vão para lugar nenhum.


Com erros e acertos, O Doutrinador é mais uma mostra de como nosso cinema está cada vez mais diversificado - ao contrário do que dizem as pessoas que o criticam sem conhecer - e como nossas produções evoluem a passos largos para podermos realizar qualquer tipo de filme, ainda que nosso orçamento seja menor do que o que é gasto para se produzir apenas um trailer em Hollywood.

É um filme de nicho, e deve agradar aos fãs do gênero.


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