CHACRINHA - O VELHO GUERREIRO


A volta do velho guerreiro

Numa época em que a TV perde cada vez mais espaço para a internet, o cinema revive a história daquele que é um dos maiores ícones dentre os apresentadores de nosso país: o entertainer Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha. O filme Chacrinha - o Velho Guerreiro conta a trajetória do limitado músico pernambucano que acidentalmente chega na capital carioca e decide ali ficar em busca de dinheiro e glória.


Na trama, Abelardo consegue um trabalho como músico em um cruzeiro à Europa que é obrigado a retornar por conta do início da Segunda Guerra Mundial. Na pausa obrigatória no Rio de Janeiro, decide ficar na cidade e passa a viver de pequenos "bicos" até surgir a oportunidade de apresentar um programa de rádio. Com um grande senso de oportunidade e autopromoção, logo consegue sucesso e abre portas para a TV. Não tardou para sua figura espalhafatosa e engraçada o transformasse também num sucesso televisivo.


Com uma produção caprichada, o filme tem como ponto forte as grandes interpretações do protagonista - na primeira fase interpretado por Eduardo Sterblitch (Os Penetras, 2012) e n segunda fase por Stepan Nercessian (Tudo Acaba em Festa, 2018) -, que atingem não só grande semelhança com o biografado como também semelhança entre si. Mérito dos atores e da direção segura do tarimbado Andrucha Waddington (Lope, 2011). O diretor também acerta ao alcançar a curva dramática do personagem - que vai da extrema alegria à mais absoluta tragédia sem "carregar na tinta", sem deixar-se levar ao melodrama.

Chacrinha - O Velho Guerreiro conta com participações especiais dos cantores Luan Santana e Seu Jorge, que ficam deslocados e tiram o espectador da imersão a que é levado.


Uma bela curiosidade - que não será saciada neste texto - é como o apresentador adquiriu o apelido que o tornou célebre. O filme mostra isso de forma bastante interessante. Outra curiosidade é a relação entre Chacrinha e seus filhos com as Chacretes, cantoras e juradas do programa, como Elke Maravilha (Gianne Albertoni).


Com boa fotografia de Fernando Young (Sob Pressão, 2016) e direção de arte meticulosa, Chacrinha - O Velho Guerreiro consegue reconstituir bem as várias épocas, do início do século XX até os anos 90.


Numa merecida homenagem, o longa-metragem mostra que um homem que enfrentou tantos percalços, que foi do céu ao inferno tantas vezes, nada mais justa do que a alcunha de Velho Guerreiro.


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