BIO - Construindo uma Vida (Idem)


Experimentando um Velho Formato


Dirigido pelo veterano Carlos Gerbase (Sal de Prata, 2005), o filme Bio se propõe a ser um "experimento", embalado na forma de um falso documentário que discute questões como evolução das espécies, incompatibilidade entre civilização e natureza, etc.


Porém, na prática, a utilização de um velho formato, ou seja, a linguagem do documentário clássico (entrevistas estilo talking heads, pouca movimentação cênica, etc) acaba tornando o filme bastante monótono, fazendo, inclusive, com que a duração de apenas 1 hora e 45 minutos, pareça bem maior.


Se a ideia aqui era mesmo experimentar uma nova linguagem cinematográfica, o formato escolhido realmente fez cair por terra tal intenção de inovação. Além do mais, o humor que se pretende dar aos relatos feitos por diversos entrevistados (personagens, na verdade) acerca do assunto ou protagonista abordado raramente funciona, tornando a narrativa ainda mais pesada e difícil de acompanhar.

Entretanto, Bio tem lá seus méritos: um modesto mas competente trabalho de direção de arte/cenografia, associado a uma boa fotografia. Porém, erra nas escolhas feitas durante a montagem que, evidentemente, não colaboraram no sentido de dar uma maior agilidade e ritmo ao filme.


O competente elenco - e olha que não falo apenas das estrelas Maria Fernanda Cândido (Meu Amigo Hindu, 2016), Rosanne Mulholland (O Candidato Honesto 2, 2018) e Tainá Müller (E aí... Comeu?, 2012) -, mas também dos jovens e talentosos atores, colabora bastante no sentido de evitar que o falso documentário soe ainda mais pesado em determinadas sequências.


Em resumo, Bio - Construindo uma Vida trata-se de um experimento no qual a ideia inicial, sem dúvida, era bem melhor do que o resultado obtido.