TOLKIEN  (Idem)


A origem de um fenômeno


A cinebiografia Tolkien - dirigida pelo finlandês Dome Karukoski (Tom of Finland, 2017) - cumpre bem e de forma quase didática sua função de informar fatos curiosos sobre a vida de John Ronald Reuel Tolkien, antes de ser tornar o fenômeno literário (e posteriormente cinematográfico), ao qual hoje, mesmo que indiretamente, todos conhecemos por conta de sua célebre obra máxima, O Senhor dos Anéis.


O filme também apresenta - de forma sintética e acessível - o papel fundamental que a mitologia nórdica e também a música do compositor germânico Richard Wagner (1813 - 1883) - sobretudo a sinfonia O Anel dos Nibelungos - exerceram na criação dos temas e personagens centrais na obra de Tolkien.


Do ponto de vista técnico, a cinebiografia é muito bem realizada, com um trabalho belíssimo de reconstituição de época, relativo ao período situado entre o final do século XlX e início do século XX, sobretudo o contexto da Primeira Guerra Mundial, da qual o biografado participou ativamente, perdendo ali alguns de seus melhores amigos, fato que também influenciaria definitivamente sua obra no que se refere à construção de personagens que necessitam passar por grandes provações até atingirem seus objetivos.

Voltando a falar sobre questões técnicas, embora pouco ousado em termos de recursos narrativos, o filme faz uso de praticamente todos os dispositivos característicos de uma megaprodução voltada ao grande público, no sentido de gerar empatia em relação ao protagonista - por parte do espectador - tais como uma idealização quase que absoluta do personagem que, mesmo quando erra, como por exemplo ao deixar de lado o amor de sua vida, o faz "em nome de uma causa maior". Ou seja, a finalização de seus estudos acadêmicos.


É fato que também pode-se dizer que o filme, muito sutilmente, faz menção ao relativo preconceito que Tolkien - pelo fato de ser bolsista e, portanto, não pertencer a uma família tradicional - sofreu ao entrar na tradicionalíssima universidade de Oxford, mas o faz com tanta sutileza e até mesmo inocência que isso apenas reforça a idealização em torno do personagem central.


É também interessante, para leigos em relação à obra de Tolkien, descobrir que ele também foi uma espécie de filólogo, capaz de, a partir das bases anglo-germânicas de sua obra, criar autênticos alfabetos e idiomas novos tais como o "élfico" e suas posteriores variações.


Em suma, o mundo de magia literária idealizado pelo biografado iria - já em meados do século XX - influenciar alguns dos maiores fenômenos cinematográficos de toda a história, tais como Star Wars de George Lucas e, posteriormente de forma mais óbvia, O Senhor dos Anéis de Peter Jackson.


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