ANOS 90 (Mid90s)


Deliciosa nostalgia


Em Anos 90 o experiente ator Jonah Hill (O Lobo de Wall Street, 2013) faz uma ótima estreia na direção, mostrando competência e personalidade, além de despertar uma deliciosa nostalgia em todos aqueles que, assim como eu, foram adolescentes nos já longínquos anos 90.


Ao contrário do que normalmente seria de esperar por parte de um astro consagrado em sua primeira experiência como diretor (não citarei nomes de outros que já o fizeram, mas pensei em alguns), Hill não optou pelo caminho seguro de um formato absolutamente padrão em termos técnicos ou narrativos. Ao contrário disso, há por exemplo, um ótimo e ousado plano-sequência já na apresentação do espaço habitado pelos protagonistas da história.

Além disso, merece destaque a genial sacada de Hill, no sentido de buscar fazer não apenas um filme ambientado nos 90, mas sim um filme "dos anos 90" por conta de sua granulação na imagem (apesar de ter sido rodado em digital) como eram os filmes de duas décadas passadas, por serem filmados em película de 35 mm. Além da montagem fragmentada - quase em ritmo de videoclipe -, sem dúvida, nos remete imediatamente à "geração MTV". E, cá pra nós, tem algo mais anos 90 do que isso?


É também muito interessante o fato de que, visando ser realmente fiel a tudo que diz respeito àquela década, o diretor se atreveu a não ser nada politicamente correto em seu retrato (fiel) daquele período, deixando claro que para fazer parte do grupo social no qual almejava ser inserido, ou seja a "tribo" dos skatistas, o garoto vivido por Sunny Suljic (O Sacrifício do Cervo Sagrado, 2017), precisa se adequar a determinados códigos de conduta que, nos dias de hoje, seriam considerados como homofóbicos, misóginos, machistas, etc.


É fato que todo o indivíduo que foi jovem (adolescente) nos anos 90, sabe que, por trás daquela deliciosa "ingenuidade" que caracterizava o período, havia sim uma intolerância bem mais acentuada em relação a determinados grupos sociais ou minorias. Ou seja, a década do grunge (rock alternativo), embora repleta de boa música (em vinil e cds) e filmes inesquecíveis (em VHS), não foi pautada apenas por flores. E, nesse sentido, Jonah Hill acerta em cheio ao não idealizar demasiadamente, e muito menos negar ou ocultar seus aspectos menos memoráveis... Ponto pra ele!


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