CYRANO MON AMOUR (Edmond)



Acertando de primeira


Uma agradável surpresa. Creio que não há mesmo adjetivo melhor pra qualificar o filme que marca a estreia na direção do ator Alexis Michalik.


Confesso que fui ao cinema, na última terça-feira, esperando ver uma comédia pastelão, com um humor desengonçado, etc; porém, pra minha surpresa, o que vi foi uma ótima comédia de época, com um humor certeiro, sem os exageros normalmente característicos dos filmes de reconstituição de época que optam pelo humor, normalmente, nunca encontrando o tom adequado. Mas, felizmente, não é isso que vemos em Cyrano Mon Amour, mas sim um filme ágil, no qual o perfeito timing de comédia dos atores colabora em muito para o êxito do filme.


Michalik merece mesmo uma menção honrosa por seu praticamente impecável trabalho na condução da trama, o que, mesmo levando-se em conta sua experiência anterior como diretor no teatro, para um estreante na função de diretor de longa-metragem, é mesmo uma façanha poucas vezes vista.

É curioso também saber que o lindo trabalho de reconstituição de época pela direção de arte, aparentemente caríssimo, conforme foi dito pelo próprio diretor durante a coletiva de imprensa do Festival Varilux de Cinema Francês deste ano, na verdade foi, em grande parte, realizado a partir do reaproveitamento de figurinos anteriormente utilizados no filme A Revolução em Paris de seu amigo e diretor Pierre Schoeller. Além disso, Michalik também confidenciou durante a mesma coletiva que o teatro no qual foi rodada a maior parte do filme na verdade não se localiza na França, mas sim na República Tcheca, ou seja, tudo trata-se de um inteligente (e praticamente inevitável) truque para baratear os custos de produção.


Nesse momento, entramos no evidente campo da fantasia sempre relacionado ao universo do cinema. Afinal, para o público que busca justamente embarcar em tal fantasia e deixar de lado por algumas horas seus problemas e dilemas cotidianos, que importa saber se um filme ambientado na França, de fato foi rodado alí? Ou se um belíssimo e caro figurino utilizado em determinada cena foi comprado, alugado ou mesmo emprestado à produção?


O espectador contemporâneo, sobretudo quando pertencente a determinados extratos sociais, parece ter perdido essa consciência de que cinema é fantasia e entretenimento antes de tudo. Por isso mesmo, Cyrano Mon Amour por intermédio de seu diretor/roteirista, acerta em cheio ao nos mandar esse recado.


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