UM HOMEM FIEL ( L'Homme Fidele)



Ecos de Truffaut


Sem a menor dúvida, eis o melhor trabalho de Louis Garrel (Canções de Amor, 2007) como diretor, até o momento.


As semelhanças com o estilo delicado e ao mesmo tempo ágil de François Truffaut (Os Incompreendidos, 1959) são evidentes em Um Homem Fiel, a começar pela própria temática abordada: o amor conjugal e suas complicações.


Garrel conduz a trama com delicadeza e desenvoltura, mas sem grandes ousadias em termos narrativos. Ou seja, embora os ecos da nouvelle vague estejam presentes em seu trabalho como diretor, não há aqui espaço pra grandes experimentos. O que só comprova que seu estilo, em termos de referências clássicas, está muito mais para Truffaut do que para Godard (Acossado, 1959), por exemplo.

É possível até dizer que em seu média-metragem de estreia como diretor (Aprendiz de Alfaiate, 2010), Garrel foi mais ousado tanto em termos narrativos quanto na escolha da decupagem do filme. Porém, em termos de história, até pelo fato de o roteiro de seu longa atual ter sido escrito pelo lendário Jean-Claude Carriere (A Bela da Tarde, 1967), Um Homem Fiel trata-se mesmo de um filme bem mais maduro.


A jovem e bela atriz Lily-Rose Depp (Além Ilusão, 2017) ilumina a tela e rouba a cena a cada minuto em que aparece, dando jovialidade a uma trama que poderia soar bem mais pesada sem a presença de sua personagem.


Em suma, Louis Garrel - o ainda galã do cinema francês - já amadureceu a ponto de se tornar um diretor competente, sensível, fiel à tradição da nouvelle vague da qual seu pai Philippe Garrel (Amante por um Dia, 2017), aliás, fez parte, mas também atento ao novo cinema francês e seu caráter que combina respeito à tradição autoral com viabilidade comercial e frescor narrativo.


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