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Relevância, sim. Inovação, não.


O longa Compartilhar, dirigido por Pippa Bianco (Sangue Pela Glória, 2017) e distribuído pela HBO não acrescenta muito ao velho filão dos filmes para (e sobre) adolescentes, pois, embora apresente temas absolutamente relevantes (abuso e violência sexual contra mulheres), o faz de forma nada inovadora e portanto, inevitavelmente, se deixa levar por uma série de clichês característicos de boa parte dos filmes que abordam o mesmo tema.


Se comparado, por exemplo, ao recente M.F.A (2018), longa de estreia da diretora brasileira Natalia Leite que, aliás, também trata-se de uma produção norte-americana, o filme de Pippa Bianco fica anos-luz atrás em termos de originalidade, ousadia e até mesmo no quesito "empoderamento feminino", tão em voga nos dias atuais.


Pois, apesar de sua relevância temática, Compartilhar revela-se extremamente convencional, tanto na forma como retrata o tema, quanto em seu desenvolvimento, caracterizado por uma quase culpabilização da vítima "Mandy", vivida por Rhianne Barreto (Strike Back, série televisiva), mostrando sua passividade diante da evidente conivência, tanto dos responsáveis pelo colégio onde ocorre o abuso, quanto das autoridades que deveriam punir seus agressores.


Outro clichê utilizado para nos apresentar a trama é o já previsível "vazamento" de um vídeo, obviamente feito pelos próprios agressores, expondo a vítima à ridicularização pública. Coisa totalmente desnecessária, visto que tal recurso já foi utilizado numa infinidade de outros filmes (sobretudo no filão adolescente) que abordam o mesmo tema.


Mas é também inegável que Pippa Bianco mostra talento ao praticamente extrair "leite de pedra", dirigindo um elenco apenas mediano e, sobretudo, tendo que driblar as limitações oferecidas por seu próprio roteiro.