BRANCA COMO A NEVE (Blanche Comme Neige)



Anne Fontaine em momento Neil Jordan


Em Branca Como a Neve, a experiente diretora francesa Anne Fontaine (A Garota de Mônaco, 2008) nos oferece um trabalho relativamente diferente de tudo que havia feito até então, pois o cinema de Fontaine - sempre intimista, mas ao mesmo tempo caracterizado também por um forte realismo - dessa vez assume um certo tom de fábula, aproximando-se inclusive do estilo característico do renomado diretor irlandês Neil Jordan (Traídos Pelo Desejo, 1992), que pratica um cinema quase sempre caracterizado pelo tom "fabular".


Porém, se por um lado Branca Como a Neve representa uma inovação estilística no cinema praticado por Anne Fontaine, por outro lado, seu roteiro claramente inspirado na já mitológica figura literária da Branca de Neve perde em termos de fluência narrativa, numa trama cujo desenvolvimento é confuso e, em determinadas situações, bastante inverossímil, mesmo levando-se em conta o aspecto "fabular" que permeia toda a história.


A protagonista vivida pela belíssima e talentosa atriz Lou de Laage (A Espera, 2017) que, aliás, já havia trabalhado com a diretora no filme Agnus Dei de 2016, também como protagonista, consegue dar graça e leveza a sua personagem, evitando assim que, apesar de determinadas situações um tanto polêmicas por ela vividas ao longo da trama, a jovem possa ser vista como uma mulher "vulgar".

Por sua vez, a diva suprema da história do cinema francês contemporâneo Isabelle Huppert (Negócios à Parte, 1997), está divertidíssima na pele de madrasta da jovem protagonista, funcionando perfeitamente como uma espécie de equivalente à famigerada bruxa má da fábula Branca de Neve. Inclusive, até mesmo a célebre cena da maçã envenenada é reproduzida de forma hilária.


Entre erros e acertos, essa tentativa de Fontaine de sair de sua zona de conforto, deixando os filmes de cunho realista um pouco de lado e se arriscando nessa espécie de fábula contemporânea - apesar da ausência de uma narrativa mais fluente e com um texto mais enxuto e ao mesmo tempo mais variado em termos de situações apresentadas -, em termos gerais, Branca Como a Neve, sobretudo por conta de seu ótimo elenco, merece uma boa conferida.


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