EM GUERRA (En Guerre)


Frustração Globalizada


Assim como já ocorria na parceria anterior entre o ator Vincent Lindon (protagonista) e Stephane Brize (diretor), entitulada O Valor de um Homem (2018), o filme Em Guerra também apresenta um forte caráter social e político, só que de forma ainda mais acentuada e evidente, devido à crueza com a qual as relações humanas são aqui descritas.

O cotidiano de um grupo de operários franceses prestes a serem demitidos por conta do eminente fechamento da usina onde trabalham, nos é apresentado de forma extremamente objetiva, sem apelo ao sentimentalismo, mas ainda assim de forma extremamente impactante.


A barreira invisível existente entre os operários e sindicalistas que reivindicam o cumprimento de acordos anteriormente assinados e, portanto, a manutenção de seus empregos, e do outro lado os executivos da empresa que apenas argumentam que "a diretoria está tão insatisfeita quanto vocês", é descrita de forma seca e objetiva, sem apelo a uma overdose de diálogos e discursos padronizados que normalmente estamos habituados a ver em filmes de cunho social.


Em Guerra é mesmo um filme para poucos, pois a estrutura narrativa utilizada por Brize (A Vida de uma Mulher, 2017), apoiada na repetição de gestos cotidianos dos trabalhadores da fábrica, demonstrando assim seu cansaço e esgotamento físico e mental, muito mais do que por diálogos, deve igualmente cansar e afastar o espectador padrão deste filme.

O golpe final da trama no sentido de metaforizar os efeitos da globalização no novo capitalismo internacional, por meio do argumento dos executivos da empresa de que "o melhor seria transferir a usina para a Romênia em função dos baixos salários", funciona como uma perfeita demonstração de que o indivíduo, num mundo globalizado e orientado pela economia de livre mercado, nada mais representa em termos verdadeiramente humanos, pois é facilmente descartável.


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