ESTAREMOS SEMPRE JUNTOS (Nous Finirons Ensemble)



O velho estilo europeu dando sinais de cansaço


Estaremos Sempre Juntos, dirigido por Guillaume Canet (Rock n' roll - Por trás da Fama, 2017), oferece claros sinais de que o estilo tipicamente europeu (ou, no caso, tipicamente francês) de se fazer cinema, caracterizado por uma narrativa desenvolvida de forma lenta e baseada quase que unicamente em longos diálogos, demonstra cansaço e esgotamento temático.


A nouvelle vague sessentista, ao contrário do que muitos pseudo- cinéfilos pensam hoje em dia, almejava "a fluência e ritmo narrativo" do cinema norte-americano. Por isso mesmo, chega a ser surpreendente que nos dias de hoje prevaleça a crença entre os jovens pseudo- cinéfilos de que cinema bom é cinema de autor, leia-se muita contemplação (ou afetação) e também muita verborragia desnecessária, no que diz respeito à boa parte da produção francesa contemporânea.

Por essas e outras, o fato é que Estaremos Sempre Juntos se sustenta quase que exclusivamente amparando-se em seu excelente elenco, com destaque para os ótimos François Cluzet (Um Reencontro, 2015) e Laurent Lafitte (O Professor Substituto, 2019). A quase sempre excepcional Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor, 2007), por outro lado, apresenta um desempenho um tanto desencontrado e caricato na composição de sua personagem, uma tresloucada mãe de família.


Pra complicar a situação, o diretor se propõe a uma árdua tarefa, difícil até mesmo para diretores mais experientes e renomados, que é tentar contar uma história situando-a quase que exclusivamente numa única locação. Resultado: apesar dos esforços por parte de seu talentoso elenco no sentido de evitarem que o desenrolar da trama torne-se tedioso, o fato é que em determinados momentos, o filme pesa como chumbo.


O clichê presente na ideia de se falar sobre um homem difícil e rancoroso recuando e, em seguida, cedendo e reconciliando-se com seus amigos e também com alguns desafetos dificulta ainda mais a possibilidade de vermos algo de realmente fresco e original nessa história.


Dica para o novo cinema francês: é preciso mais ousadia e originalidade, em vez de tanta afetação.


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