top of page

FOGO CONTRA FOGO (Kalushi: The Story of Solomon Mahlangu)

  • 17 de nov. de 2019
  • 2 min de leitura

Confrontando o preconceito insano


Em Fogo Contra Fogo, o jovem ator Thabo Rametsi (O Doador de Memórias, 2014) vive o vendedor ambulante Solomon Kalushi Mahlangu que certo dia, após presenciar cenas de brutalidade envolvendo a polícia sul-africana, decide ingressar no movimento de libertação anti-apartheid.


Baseando-se em fatos reais, o diretor estreante Mandla Dube traça um competente painel do que era viver sob o insano regime de segregação racial sul-africano vigente desde o final dos anos 40 até abril de 1994.


A injustiça prisão e consequentemente condenação de Solomon Kalushi por supostamente ter assassinado dois policiais durante protestos de rua é contada de forma objetiva pelo jovem diretor.


Eis um dos grandes méritos de de Fogo Contra Fogo, pois, ao contrário do que costuma acontecer em boa parte das biografias históricas realizadas pelo cinema norte-americano, por exemplo, não há nesta produção sul-africana, excessos melodramáticos, ou mesmo uma idealização exagerada em relação ao personagem retratado.

Porém, é também verdade que falta ao jovem Mandla Dube a mesma eficiência e habilidade narrativa ao contar a história baseada em fatos gerais, gerando uma real empatia por parte do espectador em relação ao drama vivido pelo protagonista, assim como veríamos num filme como 12 Anos de Escravidão (2014) do experiente diretor britânico Steven McQueen II, por exemplo.


Afinal, embora Fogo Contra Fogo tenha apenas uma hora e 47 minutos de duração, a "secura" na forma como a trama nos é apresentada e desenvolvida às vezes cansa, ao contrário do que ocorre no caso do já citado filme de McQueen II, no qual as quase duas horas e meia de seu filme fluem com extrema facilidade, devido à habilidade narrativa do diretor.


Mas em termos gerais Fogo Contra Fogo é um bom filme, com méritos inegáveis, tais como a competente atuação de Rametsi. E sua mensagem anti-preconceito e intolerância, sobretudo num contexto em que o mundo contemporâneo assiste ao renascimento de um neo-conservadorismo, em termos políticos e culturais, continua super válida, atual e necessária.


 
 
 

Comentários


Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

bottom of page