O DESPERTAR DAS FORMIGAS (El Despertar de Las Hormigas)


Bom cinema realizado fora do "Eixo"

A metafóra utilizada pela diretora e roteirista estreante Antonella Sudasassi no título de seu primeiro longa - O Despertar das Formigas - descreve com perfeição o cotidiano de sua protagonista Isabel, vivida pela também estreante Daniela Valenciano. Pois, assim como pequenas formigas num formigueiro, Isabel também segue uma rígida e disciplinada rotina diária, vivendo sempre em prol do bem-estar coletivo, assim como o fazem as formigas.


Mas aos poucos Isabel vai tomando consciência acerca das limitações de sua própria vida, sempre colocada em segundo plano em favor do bem-estar de sua família, ou seja, do marido e de suas duas filhas, além de mais uma criança que está pra chegar.


A diretora também acerta na escolha da fotografia que, sobretudo na parte inicial da trama, opta por tons claros e suaves de forma a não entregar de imediato a batalha interna vivida pela protagonista em busca de, digamos assim, seu "lugar ao sol".


Particularmente, não costumo aprovar a linguagem ou estética que caracteriza boa parte da produção independente latino-americana atual, caracterizada por um excesso no uso de recursos, tais como o silêncio como elemento narrativo e também por planos longos. Embora ambos os recursos estejam presentes em O Despertar das Formigas", reconheço que a diretora utiliza-os de forma competente e na medida certa.


Outro mérito do filme costa-riquenho se encontra na forma como essa "tomada de consciência" da protagonista acerca da mediocridade de sua condição não é feita de forma exageradamente discursiva ou panfletária, pois ninguém aqui é de fato julgado ou condenado como responsável pela condição de Isabel. Ela é retratada acima de tudo como fruto das escolhas que fez ao longo de sua vida até aquele momento.