A CASA DA MORTE (11th Hour Cleaning)


A CASA DA MORTE DO CINEMA


por Antônio de Freitas


Dirigido por Ty Leisher (Bullets, série de 2012), o filme começa quando um homem não identificado e todo ensanguentado está correndo em uma casa e parece fazer um vídeo no celular dizendo que não matou sua família para, logo depois, ser trucidado por algo não identificado. O ator é tão ruim que seus gemidos parecem ser de prazer sexual e não de sofrimento.

A pobreza da locação, da atuação e da fotografia digna de vídeo de casamento indicam logo de cara que estamos diante de um filme autenticamente ruim. Logo depois somos apresentados ao protagonista, sua mulher e o cunhado que, após um divórcio, está morando com eles e dormindo no sofá. Isto incomoda o marido e é mostrado em cenas e diálogos explicativos, em atuações que parecem daquelas cenas de filmes pornôs com história (aqueles pornôs que tentavam criar situações e climas antes da coisa acontecer). A família recebe uma chamada de noite e sabemos que eles trabalham como faxineiros de cenas de crimes.

Há um trabalho urgente e lá eles vão para o local em uma van que a direção de arte nem se deu ao trabalho de colocar um logotipo na carroceria. Só tinha um "loguinho" na porta do motorista e, mesmo assim, mal pregado.



Eles chegam na casa e são informados sobre a situação por um policial amigo (interpretado por um ator pior do que esses três que foram apresentados). Naquela casa houve um crime terrível onde 5 pessoas foram assassinadas. A situação fica mais pesada quando chega a ex-mulher do cunhado, e mais pesada ainda quando notamos que ela consegue a proeza de atuar pior do que o elenco que já foi apresentado. O draminha de tensão entre os dois recém divorciados se instala e entram na casa que, de forma gritante, não se parece nem um pouco com a casa da cena do início do filme e tem cara de que foi emprestada por algum parente do produtor, pois tem zero intervenção de direção de arte.

A equipe começa a limpar a sujeira - que não passa de sangue vermelho demais jogado nas paredes - e esquecem de limpar a sujeira da enxurrada de clichês de filmes de terror que vão ser jogados na nossa cara.

A falta de inspiração e criatividade pioradas pela falta de dinheiro fica evidente em cada frame desse filme.


E as patéticas tentativas de criar mais drama com a mulher do dono da empresa começando a discutir relação com o marido no meio da coisa só deixam o filme pior ainda.

Eles encontram um celular na cama com as cenas do início (a polícia estava lá e não achou o aparelho???) e o terror começa. Eles percebem que tem algo de errado com aquela casa (muito errado, porque nas cenas iniciais ela era de dois pavimentos) e não conseguem sair dali e nem manter contato com as pessoas de fora. Ficam presos e sento aterrorizados por cenas batidas de vultos passando pela câmera, vozes que aparecem do nada e tudo que já foi feito milhares de vezes em todo tipo de terrorzinho ruim.


A mensagem do filme pode ser resumida assim: Não foram apenas 5 pessoas que foram assassinadas naquela casa, o cinema também morreu ali.