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A CHORONA: É IMPOSSÍVEL FUGIR DO PASSADO (La Llorona)

  • 25 de set. de 2021
  • 2 min de leitura


A POLÍTICA COMO TRAGÉDIA (OU TERROR)



por Ricardo Corsetti


Ao assistir a produção guatemalteca A Chorona, impossível não traçar automaticamente um paralelo com a contemporânea tendência de ascensão ao poder da nova extrema-direita, em praticamente todos os continentes.

Filme eleito para ser o representante da Guatemala na última edição do Oscar, narra com muita competência a história fictícia, mas absolutamente verossímil, de um general hoje aposentado, mas que no passado teria sido responsável por um autêntico genocídio da população guatemalteca de origem indígena, sob o argumento de pretendia "melhorar a raça de seu povo e também combater o comunismo".


Impressionante ver o quanto esse discurso de um fictício líder político se faz presente nas falas e atitudes de políticos reais. E ,detalhe: não só de ditadores que tomam o poder à força, mas também no discurso de líderes democraticamente eleitos, como foi o caso recente de Trump, por exemplo.


Chega a ser tragicômico constatar o quanto o manjadíssimo e já caquético discurso de "vamos limitar as liberdades individuais, visando combater o comunismo", de tempos em tempos, ressurge com tudo no discurso de novos candidatos a líderes políticos.



Mais escabroso ainda é o discurso de "melhoramento da raça" ou de "limpeza". E, infelizmente, basta relembrar o ocorrido na ex-Iugoslávia, em meados dos anos 90, para vermos o quanto esse discurso de matriz claramente nazista renasce ao longo da história da política internacional.

Mas, voltando ao filme propriamente dito, o diretor estreante Jayro Bustamante conduz a trama com muita habilidade e duração enxuta (apenas 1h37min). Utiliza planos longos e movimentos discretos, associado a uma bela fotografia, para contar essa trágica história de matriz familiar, apresentando a problemática família do general Enrique (Julio Diaz), mas que acabou afetando os destinos de toda uma nação.


A Chorona somente peca no desenvolvimento da subtrama de terror, baseada numa velha lenda (crendice) latina acerca de uma jovem mulher (falecida) que viria buscar e afogar os filhos de outras famílias para vingar a morte de seus próprios filhos no passado.


Essa subtrama é apresentada e desenvolvida de forma confusa, embora não chegue a prejudicar a força e eficácia do drama familiar em que se ampara a história principal do filme.


Tecnicamente bem realizado e com história contundente, A Chorona, apesar de alguns pequenos deslizes na inclusão da mencionada subtrama, sem dúvida tem força e vigor suficientes, para justificar sua recente indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado.




 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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