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PARTHENOPE - OS AMORES DE NÁPOLES (Parthenope)

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

A ODISSÉIA DE PARTHENOPE


por Eugênio Doroteu


Uma mulher nascida no mar de Nápoles busca a felicidade durante os longos verões de sua juventude, apaixonando-se por sua cidade natal e seus muitos personagens memoráveis.



Paolo Sorrentino (A Grande Beleza, 2013) constrói, em Parthenope – Os Amores de Nápoles, uma odisseia existencial que acompanha a vida da personagem título, vivida por Celeste Dalla Porta, desde o seu nascimento nas águas de Nápoles nos anos 1950 até a sua velhice, traçando um panorama que entrelaça as desilusões amorosas, as perdas familiares e a busca acadêmica de uma mulher comum que carrega o nome do mito fundador de sua cidade.


Sorrentino consolida o que pode ser visto como uma trilogia estética e temática iniciada em A Grande Beleza, e perseguida em Juventude, de 2015, uma vez que o cineasta retorna aos seus temas prediletos: a passagem implacável do tempo, a decadência aristocrática, a melancolia da memória e a busca incessante pelo sublime em meio ao grotesco da condição humana. Se Roma e os Alpes Suíços serviram de palcos anteriores, aqui a mítica ilha que dá título ao filme e a própria cidade de Nápoles funcionam como a costura histórica, cultural e geográfica essencial para o arco dramático de Parthenope, onde a paisagem mediterrânea não é mero cenário, mas o espelho da alma da protagonista.

O filme se lança em uma busca obsessiva por sua própria beleza plástica, capturada em uma fotografia que personifica esse ideal estético quase como um fetiche na figura de Celeste Dalla Porta; a câmera não esconde que a idolatra, transformando sua juventude e seus traços em uma representação da perfeição.


Contudo, por trás desse deslumbre quase hipnótico, Sorrentino mergulha em uma camada de amargura ao comentar a solidão incontornável que, na visão do diretor, a beleza inevitavelmente traz, sugerindo que ser o objeto de desejo e de adoração funciona como uma barreira invisível, condenando a protagonista a uma existência isolada, onde todos a enxergam, mas poucos a alcançam de verdade.


Parthenope – Os Amores de Nápoles está disponível no catálogo da Filmelier +.



 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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