A PRISIONEIRA DE BORDEAUX (La Prisonniere de Bordeaux)
- 3 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

O SEMPRE INEVITÁVEL CHOQUE DE CLASSES
por Ricardo Corsetti
Interessante e competente drama com toques de suspense policial onde, claro, o grande destaque é a presença da autêntica diva suprema do cinema francês contemporâneo: Isabelle Huppert (A Professora de Piano, 2001). Mas, justiça seja feita, a jovem e bela Hafsia Herzi (Rapto, 2024), também não faz feio como protagonista deste, ao mesmo tempo, belo, sensível e trágico filme.

Filme de estreia na direção da experiente atriz e assistente de montagem Patricia Mazuy, A Prisioneira de Bordeaux aborda a improvável relação de amizade entre duas mulheres oriundas de universos sociais e culturais muito distintos, mas com algo de fundamental em comum: ambas possuem seus companheiros - atualmente - encarcerados no mesmo presídio.
Nesse contexto, apesar da aparentemente real amizade que surge inesperadamente entre elas, cedo ou tarde, as diferenças (sobretudo econômicas) que existem acabam se revelando, na prática, intransponíveis, gerando uma série de mal-entendidos, culminando num trágico - e ao mesmo tempo poético - desfecho.
Obs: a atuação de Isabelle Huppert é construída por meio de uma série de sutilezas e com, digamos, um senso de humor ácido e bastante peculiar.

E aproveito o contexto do filme em questão, para comprovar minha experiência pessoal, ao longo da vida, no sentido de também tentar conviver e acreditar na amizade de gente que faz parte de um universo muito diferente/distante do meu, a dica é sempre: nunca confie, de fato, na generosidade de gente rica, pois ela sempre terá, mais adiante, um preço muito alto a ser pago.
Segundo lançamento da distribuidora Autoral Filmes no Brasil, A Prisioneira de Bordeaux estreou em 7 de agosto nos cinemas de todo o país e, sem dúvida, merece uma boa conferida.


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