AS AGENTES 355 (The 355)



Embelezando o universo dos filmes de ação e espionagem


por Ricardo Corsetti


O principal destaque em As Agentes 355, sem sombra de dúvida, é o quinteto multiétnico e multinacional que protagoniza o filme: a norte-americana Jessica Chastain (Ava, 2020), a espanhola Penélope Cruz (Vicky, Cristina, Barcelona, 2008), a alemã Diane Kruger (Em Pedaços, 2017), a quênio-mexicana Lupita Nyong'o (Nós, 2019) e a chinesa Bingbing Fan (Fora de Rumo, 2016). Um autêntico desfile de belas mulheres e todas atrizes de primeiríssima, é bom frisar.

No mais, o filme dirigido pelo estreante em direção de longa Simon Kinberg se apoia muito mais em várias sequências de ação de tirar o fôlego do que, propriamente, num melhor desenvolvimento da trama e maiores aprofundamentos na história pessoal de cada uma das personagens.


Jessica Chastain que, inclusive, assina a coprodução executiva, é - dentre todas as atrizes escaladas para compor esse "quinteto fantástico" - a mais experiente no gênero ação, segmento no qual vem se especializando nos últimos anos, tanto como atriz como também produtora de diversos títulos deste gênero, como no acima citado Ava (Tate Taylor, 2020).


O personagem de Penélope Cruz, por sua vez, embora divertido, beira o caricato, por reproduzir o eterno clichê hollywoodiano de tratar todo e qualquer latino como mexicano. Pois sim, claro que sua personagem melodramática e ultra estereotipada na trama tinha que ser "mexicana". A ótima Lupita Nyong'o (única autêntica mexicana do elenco, a propósito), carrega no sotaque britânico com êxito. E se confirma como uma das melhores atrizes da atual geração. A ultra experiente Diane Kruger, embora longe de apresentar um dos melhores desempenhos de sua carreira, está bem em cena. E acaba por formar uma ótima dupla com a personagem vivida por Jessica Chastain.



Obs: há uma cena, já lá pelo início da segunda metade do filme, que é involuntariamente divertida, pois as personagens (um quarteto até esse momento), já minimamente familiarizadas umas com as outras, decidem ir a um bar para beberem juntas e aliviarem um pouco a tensão por elas há pouco vivida. Pois bem, o detalhe engraçado é que elas parecem fazer um esforço pra esconderem o rótulo das garrafas (longnecks) de cerveja que estão segurando em suas mãos, embora seja muito óbvio que se trata da cerveja belga, Stella Artois. Aí me surgem dois questionamentos básicos: 1) as atrizes estariam nesse momento, realmente preocupadas em esconder o rótulo da cerveja que tomaram em cena para não fazerem propaganda gratuita e involuntária da marca em questão, ou, no fundo, é tudo marketing previamente planejado? 2) e caso a intenção fosse realmente esconder o rótulo das tais garrafas, numa produção milionária como essa, não seria muito mais fácil solicitar à produção que fossem impressos rótulos de uma marca fictícia para as tais garrafinhas? (rs)


Enfim, devaneios à parte, entre erros e acertos, As Agentes 355 cumpre bem seu papel como mero entretenimento, com aspirações ao empoderamento feminino, tão em voga nos dias atuais.