CIDADE PERDIDA (The Lost City)


REVISITANDO OS ANOS 80


por Ricardo Corsetti


Revisitar tanto a estética quanto as temáticas características dos 80 têm sido uma estratégia bastante utilizada, sobretudo pelo cinema norte-americano, nos últimos anos.

"Em Cidade Perdida", tanto a figura do herói viril - mas ao mesmo tempo canastrão - típica de vários filmes oitentistas, como por exemplo no involuntariamente hilário Flash Gordon (Mike Hodges, 1980), está presente na figura do personagem vivido por Channing Tatum (Magik Mike, 2012).

A protagonista vivida por Sandra Bullock (Um Sonho Possível, 2009), por sua vez, equivale ao estereótipo da "mocinha" já descrente no amor verdadeiro e, por isso mesmo, já inserida na hipocrisia e pragmatismo do mundo contemporâneo, mas que no fundo ainda busca, de forma inconfessa, alguma possibilidade de se reconciliar com seu passado idealista.


Quanto ao filme propriamente dito, Cidade Perdida, por se tratar em grande parte de uma aventura em terras exóticas, faz uma clara menção ao clássico dos clássicos nesse segmento: a saga/franquia, Indiana Jones idealizada por Steven Spielberg e iniciada em 1981, por Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida.

Muito longe, porém, da eficiência e sem o fator inovação - característico da clássica franquia -, Cidade Perdida, dirigido pela dupla Aaron e Adam Nee (The Last Romantic, 2006), apenas diverte e pouco, ou nada, além disso.



Destaque para a pequena, mas divertid,a participação especial de Brad Pitt (O Clube da Luta, 1999) como uma espécie de coaching de "sobrevivência na selva". Eis mais uma ótima sátira à figura do típico "herói viril e imbatível" dos anos 80.

A trilha sonora, recheada de clássicos do "metal farofa" (vertente mais comercial do heavy metal) representa outra deliciosa e clara referência ao universo oitentista.


Para quem busca entretenimento descompromissado e nada além da garantia de algumas boas risadas nesse feriadão de "Carnaval com Tiradentes", Cidade Perdida pode funcionar muito bem.