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DE REPENTE, MISS

PASSANDO UM TANTO LONGE DO ALVO


por Ricardo Corsetti


Embora seja fato que o Brasil (ou mais especificamente, o cinema brasileiro) sempre teve vocação para o humor, no entanto, ao contrário do que ocorria no tempo das lendárias Chanchadas da década de 50, ou até mesmo em sua "reencarnação" na década de 70, como Pornochanchada; esse humor tipicamente brasileiro acabou perdendo sua eficiência e sobretudo, sua espontaneidade, graças ao padrão, ou melhor, à linguagem televisiva que se estabeleceu como formato padrão no gênero comédia a partir do início dos anos 2000, durante a chamada "retomada" da produção cinematográfica brasileira.


Nesse sentido, De Repente, Miss, infelizmente, não vai muito além de romper com o já desgastado formato de esquete de programa humorístico televisivo presente em 99% das comédias brasileiras realizadas nos últimos 20 anos, pelo menos. E, talvez sejam justamente as amarras impostas por esse formato pseudo-televisivo, que me fizeram achar tão primária a decupagem (escolha de planos e ângulos de filmagem) utilizada pelo estranhamente experiente diretor Hsu Chien (Desapega, 2022).


Só mesmo o carisma de Fabiana Karla (Lucicreide Vai Pro Céu, 2021) consegue, em alguns momentos do filme, torná-lo minimamente agradável e divertido de se ver. Danielle Winitz (Os Farofeiros, 2018), por sua vez, como é usual, parece interpretar a si mesma, ao viver a até que divertida "vilã" da trama.


Pouco inspirado e pouco criativo, De Repente, Miss, em resumo, rende alguns poucos momentos de riso e empatia em relação a sua protagonista. No mais, infelizmente, ficou mesmo apenas na intenção de nos fazer rir.




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