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Festival de Cinema Russo: BOLSHOI (THE BOLSHOI)

  • 15 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura


SONHOS MOLDADOS SOB SACRIFÍCIOS QUE NINGUÉM VÊ

por Karina Kiss

O drama dirigido por Valery Todorovsky (Odessa, 2019) apresenta a rotina de quem pretende se tornar um bailarino(a) no mais famoso instituto de ballet do mundo.


No longa, a jovem dançarina Yulia (Margarita Simonova) vê seu futuro se desenhar através do contato com um ex-bailarino russo que a apresenta à academia Bolshoi. Ao longo do filme, vemos a trajetória da menina se tornando mulher, dançarina e posteriormente estrela do balé. Em contrapartida, assim como na vida real, os desafios de uma bailarina vão muito além de alongamentos e ensaios, há muita rivalidade para conquistar os holofotes do tablado. Yulia logo perceber isso ao constatar que sua oponente Karina (Anna Isavea) exercita uma torturante estratégia de "passar a perna" em todos da Companhia, custe o que custar.

Bolshoi vai além dos tutus (vestimenta) e incríveis habilidades de dança, mostrando como a resiliência é importante para quem pretende se dedicar a carreiras de risco e com curto prazo de duração (em termos de idade). Não se trata de ensinar o espectador a lutar por seus ideais, nem tampouco a ver os aspectos negativos da profissão, mas sim retratar a sociedade workaholic (viciada em trabalho) existente em qualquer país ou nacionalidade.



Ao mesmo tempo em que o roteiro aborda a dualidade existente entre o lado senil na figura de uma bailarina renomada, hoje com Alzheimer e, por outro lado, o aspecto pueril de uma jovem aspirante à "primer" bailarina que, além de rude, tem má educação. Há demonstrações da frieza tipicamente russa, aliada ao ideal utópico buscado por todos. E assim como ocorre em qualquer outra atividade ou sociedade, fica claro que a predileção é tendenciosa a quem tem poder, fama ou dinheiro.


Há momentos de descontração e leveza também, para amenizar um pouco a narrativa, embora haja momentos que, sinceramente, poderiam ficar apenas subentendidos na trama. A fotografia e a direção de arte não apresentam nada fora do comum, embora mereça destaque a perspectiva utilizada na composição de determinadas cenas.


Estar sob a tutela de alguém nem sempre é fácil. Ainda mais em se tratando de um ambiente rígido, extremamente profissional e com acirrada concorrência. Os diálogos demonstram que há abnegações da vida em crescimento para conseguir almejar um lugar de prestígio e aprendizado, com data marcada para terminar.


Por fim, há uma mensagem sutil sobre perseverar e jamais abrir mão de um sonho. Há sacrifícios e lutas constantes, porém ao final nenhum obstáculo se mantém grande o suficiente para impedir quem sabe o que quer.


Festival de Cinema Russo

Até 30/12.

Onde: plataforma SPcine play

Gratuito.




 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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