O PROTOCOLO DE AUSCHWITZ (The Auschwitz Report)



APENAS MAIS DO MESMO

por Beto Besant


Há décadas que filmes sobre nazismo são produzidos à exaustão, o que tornou o assunto bastante desgastado, por mais importante que seja não deixar que se esqueça essa página sangrenta da história. Após tantas produções, o assunto ficou desgastado e é cada vez mais raro vermos filmes que apresentem roteiros com alguma originalidade. Ao que parece, muitos deles devem ter sido mais levados adiante por uma possível indicação ao Oscar - já que se comenta que este tema é indicação garantida - do que propriamente por um desejo de contar determinada história. E este parece ser o caso de O Protocolo de Auschwitz, de Peter Bebjak (O Limpador, 2015). Talvez não por coincidência, foi o indicado da Eslováquia ao Oscar de Filme Internacional, mas não passou na pré-seleção.


O filme conta a história real - apesar disto ser muito discutível, já que se sabe que esta definição já garante uma maior bilheteria - de dois judeus que conseguem escapar do campo de concentração de Auschwitz em 1944 e denunciar a barbárie cometida a superiores, como a Cruz Vermelha. O fato - até então desconhecido pelas autoridades - não é levado à sério, uma vez que nas inspeções que fizeram não puderam detectar nenhuma irregularidade. Paralelamente, o filme mostra o cotidiano do campo de concentração e os horrores ali vividos.


Muito bem fotografado e com direção de arte impecável, O Protocolo de Auschwitz tem sérios problemas de ritmo, e suas duas horas e catorze minutos parecem intermináveis. A mão firme de um bom montador poderia tornar a experiência menos desgastante, se reduzisse a uns oitenta minutos.



Tratar de um tema tão desgastado tornou-se uma tarefa hercúlea, e raramente vemos o nazismo ser tratado por uma nova ótica - como no excelente Jojo Rabbit (Taika Waititi, 2020) -, porém, mesmo que não se aborde um fato totalmente original, deve-se, ao menos, trabalhar e aprofundar muito bem o roteiro para torná-lo envolvente, o que está longe de se acontecer aqui.

Talvez as gerações mais novas - que não estejam contaminadas pelo ritmo de videoclipe que a extinta TV causou - sintam mais prazer em ver o filme, o que não acontece para os mais cinéfilos ou para quem já tem idade para ter acumulado muitos filmes na memória.

Disponível nas plataformas digitais.