ORWELL : 2 + 2 = 5 (idem)
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QUANDO O PIOR PESADELO SE TORNA REALIDADE
por Ricardo Corsetti
Em primeiro lugar, sobretudo pensando naqueles que não chegaram a ler suas principais obras: "A Revolução dos Bichos" (1945) e "1984" (1949). E que, portanto, não fazem ideia da dimensão alcançada pela "literatura ficcional" de George Orwell (1903-1950), é preciso fazer uma pequena introdução.

Afinal, desde o cinema do final dos anos 40, passando também por inúmeras outras obras literárias de autores de segunda classe que tentam emular seus principais textos, até um famigerado programa televisivo que, há inacreditáveis 27 anos, está no ar, é, simplesmente, gigantesca a influência exercida em todo o mundo, ao longo de décadas, pela imortal e premonitória obra de Orwell.
[18:11, 12/02/2026] Ricardo Corsetti: Quanto ao novo documentário: "Orwell: 2 + 2 = 5" que, obviamente, foca as já citadas principais obras do autor britânico, além de revelar interessantes fatos de sua vida pessoal e, em especial, de sua juventude, é conduzido com muita competência e apresenta rico material de arquivo.
Acho importante frisar que, embora eu reconheça a enorme importância e talento literário do autor em questão, sempre tive minhas ressalvas em relação à forma genérica por meio da qual ele, digamos assim, coloca tudo no mesmo saco, ao falar (analisar) sobre o totalitarismo de direita e também o de esquerda, sem levar em conta, as evidentes diferenças em termos de bases ideológicas, motivações e objetiva almejados por tais divergentes correntes políticas.
[18:11, 12/02/2026] Ricardo Corsetti: Voltando ao filme (documentário) propriamente dito, dirigido pelo competente cineasta haitiano Raoul Peck ("Eu Não Sou Seu Negro", 2016), acerta, sobretudo, ao registrar um impressionante "mea culpa" por parte de Eric Arthur Blair (mais conhecido como George Orwell), a respeito de sua juventude, época em que serviu ao Exército Imperial Britânico, durante a ocupação da Índia. Ele, então, apenas um jovem egresso da classe média (pequena burguesia) britânica, embora reconhecesse o horror e injustiça ali praticados, em relação ao povo indiano; num primeiro momento, ele confessa se sentir superior aquele "povo atrasado".

Peck (diretor) também acerta ao tentar traçar um paralelo entre o mundo contemporâneo, cada vez mais refém do novo autoritarismo (sobretudo de direita) e os premonitórios/ visionários textos de Orwell.
Obs: Eu, sinceramente, não posso fechar os olhos em relação ao fato de que, hoje em dia, é fato conhecido que Orwell, durante o pós-guerra, estava na folha de pagamento da C.I.A. E, portanto, a suposta "independência" de sua visão de mundo, naquele momento, não me parece tão isenta de componentes ideológicos e interesses financeiros. Em resumo, pra não perder o inevitável trocadilho, de fato, creio que ao saber desse detalhe, 2 + 2, realmente deram 5, no que se refere a Mr. Orwell (rs).
Porém, seu talento literário é inegável e sua obra, ao menos em termos ficcionais, continua muito relevante.
Por isso mesmo, o documentário, competentemente realizado por Raoul Peck, merece uma boa conferida.


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