QUERIDO EVAN HANSEN (DEAR EVAN HANSEN)





SUPERANDO O PRECONCEITO AO "DIFERENTE"


por Ricardo Corsetti


Em tempos de politicamente correto ditando as regras na produção audiovisual contemporânea, nada mais lógico do que um filme destinado ao público adolescente abordar a questão do bullying (agressão física ou verbal sistemática em relação aos indivíduos tidos como "diferentes" no meio social em que vivem).

Nesse sentido, o drama musical Querido Evan Hansen acerta ao demonstrar como, muitas vezes, justamente aqueles que adoram falar em respeito e tolerância às diferenças, inclusão social, etc; acabam cometendo as mesmas injustiças às quais, ao menos em seu discurso cotidiano, condenam veementemente.


O diretor norte-americano Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível, 2012) demonstra familiaridade com o tema, pois vem abordando-o desde a época de seu já clássico filme adolescente citado.


Neste seu mais recente trabalho, porém, embora demonstre talento e competência narrativa, o diretor acaba pesando um pouco a mão na, digamos assim, dose de açúcar (dramaticidade) excessiva de algumas cenas. Mas, até aí, é compreensível o fato de que estamos falando de um filme produzido por um mega-estúdio (Universal Pictures) que obviamente necessita fazer determinadas concessões para ser de fato "acessível a todo tipo de público".



O jovem Ben Platt (A Química do Amor, 2020) acerta no tom ao viver o extremamente tímido personagem título, encarnando com perfeição a figura do típico adolescente em crise de identidade e buscando seu espaço no ultra-competitivo microcosmo característico do universo jovem, talvez em qualquer lugar do mundo.

A sempre ótima Julianne Moore (A Mão que Balança o Berço, 1993) por outro lado, poderia ter sido bem melhor aproveitada, pois aparece pouco no filme, como a sempre ocupada mãe do solitário protagonista.


Amy Adams (A Mulher na Janela, 2021) por sua vez, distante do estereótipo da bela atriz adolescente de outros tempos, surpreende ao viver a mãe possessiva e deprimida do "amigo" de Evan Hansen, a partir do qual toda a base da trama irá se desenvolver mais adiante.


Entre erros e acertos Querido Evan Hansen cumpre bem sua função enquanto entretenimento informativo, acerca de questões seríssimas relacionadas à sempre dificílima transição da adolescência para o mundo ainda mais imperfeito e complexo dos adultos.