SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA (If I Had Legs, I'd Kick You)
- Ricardo Corsetti
- há 2 dias
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MUITA MILITÂNCIA, POUCO CONTEÚDO
por Ricardo Corsetti
É fato que a sempre ótima atriz australiana Rose Byrne ("Paixão À Flor da Pele", 2008), pra não perder o inevitável trocadilho com o título, praticamente, carrega o filme nas costas.
Não fosse o exagerado discurso militante da roteirista e diretora Mary Bronstein, já presente em seu trabalho, aliás, desde o seu longa de estreia: "Yeast", 2008; é provável que a até simpática história de uma típica mãe de família, às voltas com sua filha doente e problemas financeiros, poderia, sim, render algo bem melhor.

O problema é que a necessidade (mercadológica, sobretudo) de inundar o filme de "machos tóxicos" e demais pessoas indiferentes ao drama pessoal vívido pela protagonista, com a intenção de pregar o famigerado "empoderamento feminino", acaba soando exagerado e, por vezes, até caricato.
A metáfora acerca do vazamento no apartamento de cima, fazendo com a vida de Linda (Rose Byrne), literalmente, desmorone, é, em si, interessante. Pena que seja mal aproveitada e mal desenvolvida.
Destaque para presença do ex- galã Christian Slater ("O Nome da Rosa", 1986) em papel secundário, mas interessante.

Obs: Rose Byrne chegou a receber uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz, por este filme. Indicação merecida, inclusive, pena que por um filme menor.
Obs 2: Infelizmente, o cinema contemporâneo (e não me refiro, apenas, ao cinema norte-americano), privilegia, em excesso, discursos que estão na moda (por mera demanda de mercado, verdade seja dita), em detrimento da criatividade e espontaneidade temática de outros tempos. Que 2026, nos traga boas surpresas. Embora, na prática, eu ache difícil acreditar nisso.


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