SPACE JAM: UM NOVO LEGADO (Space Jam: A New Legacy)




ERRANDO O ARREMESSO À CESTA DO HUMOR


por Ricardo Corsetti


Quase vinte e cinco anos após a realização do já clássico Space Jam (Joe Pytka, 1996), o humor antes ingênuo e bastante espirituoso ao mesmo tempo, praticado pela célebre trupe de personagens da Looney Tunnes demonstra evidentes sinais de cansaço no novo filme Space Jam: Um Novo Legado, realizado no início deste ano.

Com elenco capitaneado pelo astro do basquete/ator Lebron James (Jogada Certa, 2010) interagindo com os eternos ídolos de nossa infância - Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frajola, Piu-Piu, Frangolino, etc - Space Jam é de fato uma megaprodução em termos de efeitos especiais e técnicas de animação, porém, e talvez por isso mesmo, tem sabor de artificialismo e até de uma certa frieza na forma como os personagens (atores) reais interagem com os velhos astros do cartoon.


Além disso, o excesso de correção política na elaboração e condução da trama que levou, por exemplo, à repaginada no figurino da personagem Lola Bunny, visando evitar qualquer apelo à sexualização da coelhinha, bem como a exclusão do divertido Pepe Le Gambá da versão final do filme sob o argumento de que ele "induzia ao assédio sexual" por conta de sua atitude galanteadora, bloqueou ainda mais, qualquer traço de real espontaneidade ao filme.


Aliás, apenas esse episódio isolado do banimento do referido personagem, que na primeira versão de Space Jam deveria aparecer interagindo com a estreante atriz brasileira Greice Santo (também excluída da versão final do filme), por si só, já renderia um filme.


Nem mesmo a quase sempre carismática presença do veterano Don Cheadle (Hotel Ruanda, 2004) como vilão conseguiu me empolgar em relação a uma trama insípida, previsível e repleta de clichês que visam ser "espertos", como por exemplo a citação a cenas e movimentos característicos de Matrix (Wachowski Brothers, 1999), dada a exaustão com que tais citações já foram utilizadas em outros diversos filmes (sobretudo de animação), servem apenas pra cansar ainda mais o espectador ávido por um mínimo sopro de criatividade nessa história.

Salvam-se somente os poucos momentos em que se permite a personagens como Papa-Léguas, Coiote e Diabo da Tasmânia se entregarem ao absoluto nonsense que sempre caracterizou os clássicos desenhos televisivos da turma da Looney Tunnes.


Muita pirotecnia e pouca alma: talvez seja essa a melhor forma de definir e também explicar por que Space Jam: Um Novo Legado é, em grande parte, decepcionante.


Obs: eu, aliás, sou tão pouco inteirado com relação a assuntos relacionados ao universo do basquete que, sinceramente, nem mesmo sabia - antes de ver o filme e pesquisar sobre ele posteriormente - que Lebron James era mesmo um astro do basquete contemporâneo (risos).


É, meus queridos ídolos de infância - Pernalonga, Patolino, Gaguinho e Frangolino - melhor sorte em sua próxima empreitada cinematográfica, ok?