TENET (idem)



A paranóia eterna

É no mínimo curioso (para não dizer, quase risível) que em seu novo filme, Christopher Nolan (A Origem, 2010) pareça realmente acreditar ser ainda possível se falar em Guerra Fria, visto que a União Soviética, ou seja, a "ameaça vermelha" em relação à total hegemonia político-militar norte-americana, já não existe desde 1991! 

Sendo assim, devido à impossibilidade real de se falar numa "ameaça socialista", vinda da velha terra dos czares, a quem Nolan decidi eleger como o novo inimigo mortal a ser combatido? Resposta: a máfia russa, na figura de um ex-operário de minas de plutônio, Andrei Sator (Kenneth Branagh - Henrique V, 1989), hoje convertido em bilionário envolto em inúmeras atividades escusas.. Graças ao absurdo da trama (de evidente caráter ideológico, diga-se de passagem), o que realmente se destaca em Tenet, é mesmo o excepcional elenco, capitaneado pelo jovem astro John David Washington (Infiltrado na Klan, 2018), Robert Pattinson (Cosmópolis, 2012) e pela belíssima atriz franco-australiana, Elizabeth Debicki (As Viúvas, 2018).  Merece também destaque, a pequena mas sempre marcante participação de Michael Caine (Carter - O Vingador, 1971) e, claro, o ótimo desempenho do já citado Kenneth Branagh, na pele do mafioso/bilionário russo.

Como de costume, a rebuscada trama escrita pelo próprio diretor (Nolan), é bastante confusa e cheia de lacunas a serem preenchidas, digamos assim, pela própria "imaginação" do espectador. A estrutura de Tenet, aliás, lembra muito a de "A Origem"(2010), filme também escrito e dirigido por Nolan. O artifício é o mesmo: encobrir as deficiências do roteiro, equilibrando/alternando com muitas cenas de ação vertiginosas, a trama (confusa) e cheia de furos mal-resolvidos.  Diagnóstico final: num filme onde os malabarismos técnicos superam (ou encobrem) as deficiências de um roteiro pretensioso e pseudo inteligente, o jeito é mesmo apreciarmos o desfile de ótimos atores acima citados (outra marca do cinema de Nolan) e deixarmos de lado a rocambolesca e absolutamente inverossímil trama. Até porque, cinema de entretenimento que se pretende apresentar como "cinema de autor", normalmente resulta nisso mesmo...



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