top of page

TODO MUNDO EM PÂNICO 6 (Scary Movie)

  • 6 de jun.
  • 2 min de leitura


PARODIANDO A SI MESMO, EM PRIMEIRO LUGAR 


por Ricardo Corsetti 


É fato indiscutível que a benção/maldição das intermináveis franquias no cinema norte-americano, realmente, veio pra ficar, pois, simplesmente não há gênero cinematográfico que tenha ficado de fora dessa tendência. Do romance juvenil (disfarçado de terror) Crepúsculo (Catherine Hardwicke, 2008) ao teenager slasher de Pânico (Wes Craven, 1996), ninguém ficou mesmo imune à, digamos assim, reciclagem sem fim.



No já longínquo ano de 2000, os irmãos atores/roteiristas: Marlon e Shawn Wayans (sim, os inesquecíveis protagonistas da pérola As Branquelas (Keenen Ivory Wayans, 2004), tiveram a grande sacada de parodiar de forma cômica, a então - e extremamente bem sucedida - franquia Pânico, iniciada em 1996, por Kevin Willianson e Wes Craven (1939-2015), adicionando insanas pitadas de humor ao terror adolescente da franquia base.


Agora, exatamente 26 anos após o primeiro filme de sua insana - e bem sucedida - franquia, os irmãos Wayans lançam Todo Mundo Em Pânico 6, seguindo, basicamente, a mesma fórmula utilizada, ao longo desses 26 anos: humor politicamente incorreto e paródico.


Por um lado, é delicioso ver que - em pleno 2026 -, ou seja, num momento em que o cinema internacional (sobretudo norte-americano) se tornou absolutamente refém do politicamente correto imposta pelas demandas e militância identitária, é ainda possível existir um filme produzido por um grande estúdio, inclusive, que não tem medo de "chutar o balde", se utilizando de piadas que não poupam absolutamente ninguém: negros, homossexuais, etc.



Porém, embora divertidíssimas, as piadas de Todo Mundo Em Pânico 6, muitas vezes, talvez até pelo fato de buscarem sacanear o "bom mocismo" do qual o cinema contemporâneo se tornou refém, acabam, no entanto, se revelando extremamente previsíveis.


Felizmente, para equilibrar o jogo, algumas atuações, são simplesmente impagáveis como, por exemplo, a mãe irresponsável e viciada - embora politicamente conservadora -, vivida pela ótima Anna Faris (A Casa das Coelhinhas, 2004) e, claro, o influencer maconheiro, vivido por Marlon Wayans (As Branquelas, 2004) em atuação, aliás, claramente inspirada no inesquecível surfista lesado, vivido por Sean Penn no clássico Picardias Estudantis (Amy Heckerling, 1982).


Entre erros e acertos, no geral, o saldo é bastante positivo em Todo Mundo Em Pânico 6, graças a sua tentativa de sacudir a irritante monotonia "engajada" do cinema de hoje em dia. 



 
 
 

Comentários


Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

bottom of page