TRANSTORNO EXPLOSIVO (Systemsprenger)




A FÚRIA EM ROSA CHOQUE


Alguém disse que não é um erro começar uma cena de filme usando um clichê, desde que não se termine com um. É o que acontece com TRANSTORNO EXPLOSIVO (Systemsprenger, 2919 ) escrito e dirigido por Nora Fingscheidt (Ohne diese Welt, 2017), que era mais conhecida por documentários e está estreando em longa-metragem de ficção com este filme, que fez bonito em diversos festivais de cinema europeus. Entre eles, o Berlin International Film Festival, onde abocanhou o Urso de Prata.


Como já foi dito, a proposta desse filme parece um clichê até muito usado pelo “cinemão” americano. Lembra a proposta de O Encantador de Cavalos (Robert Redford, 1998), onde um treinador de cavalos se propõe a ajudar uma garota severamente traumatizada com um tratamento alternativo, usando sua interação com os equinos. Ou, então, Nell (Michael Apted, 1994) onde um doutor de cidade pequena se propõe a ajudar uma mocinha, que viveu toda sua vida longe da sociedade e que havia criado uma linguagem própria, e trazê-la ao mundo real através de um tratamento alternativo. Repeti palavras e a forma de escrever a frase de propósito para indicar que são duas obras clichês baseadas em novelas, peças ou relatos da vida real com mensagens edificantes bem típicas do cinema hollywoodiano.


O que acontece no filme em questão é o contrário. A pegada é de documentário. As imagens são cruas e sem glamour, não há fotografia trabalhada nem trilha-sonora impactante. Benny é brilhantemente interpretada por Helena Zengel (Relatos do Mundo, 2017) uma menina com severos traumas que resultam em uma agressividade extrema e é jogada de asilo em asilo por não se adaptar a nenhum deles. A garota é um problema que parece não ter solução. A inspetora municipal tenta achar famílias que possam ficar com ela, mas o mesmo acontece, ninguém a suporta. Benny parece ser incapaz de conviver com as pessoas ao redor ou mesmo de poder frequentar uma escola. E a decisão de interná-la em uma instituição para doentes mentais já começa a ser levada a sério quando um monitor dos asilos se propõe a levá-la para uma casa no campo, na esperança de que o contato com a natureza e animais ajude na sua cura.


Até este momento parece que já se viu essa história sendo contada. Mas o que vem depois muda tudo.

Essa situação, que parece ter sido mostrada dezenas de vezes, é retrabalhada pela autora de forma cruel. O resultado é um filme de forte impacto e cheio de personalidade que não vai agradar a todos. Esperem por uma virada na história que vai chocar quem espera um filme comum. Não espere uma mensagem edificante ao som de música melosa. Há uma mensagem e ela pode doer na nossa consciência. Só vendo para saber. Se quiser levar um tapa conceitual na sua cara e um bem dado, assista este filme.




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