TROLLS 2 (Trolls World Tour)



DIDATICAMENTE CELEBRANDO AS DIFERENÇAS

"Esses caras do pop se acham gênios, mas tudo o que fazem é autotunes e remixes". Espirituosa frase extraída de Trolls 2, divertida homenagem a todos os gêneros musicais existentes e, portanto, à diversidade cultural que eles representam.

No filme dirigido por Walt Dohrn (Trolls - Dia de Festa, 2017) há ótimas piadas sobre os clichês que caracterizam cada um dos gêneros musicais existentes na música contemporânea, como por exemplo sobre a, digamos assim, excessiva carga emotiva presente na música sertaneja/country, ou sobre o bom e velho suingue do autêntico funk que, aliás, conforme diz um personagem da tribo da soul music, "fui surrupiado pelo pessoal do pop".


E o mais irônico de tudo, é que justamente a tribo dos roqueiros, representa o conservadorismo na trama do filme. Bom, piadas à parte, basta darmos uma passadinha na lendária "Galeria do Rock", aqui no centro de São Paulo, pra se constatar que os outrora "rebeldes e revolucionários" fãs de rock, hoje em dia, de fato se resumem a um bando de senhores bem comportados e conservadores (risos).



Mas voltando ao filme propriamente dito, embora as piadas sobre os diversos gêneros ou tribos musicais retratadas quase sempre funcionem à perfeição, o caráter extremamente didático com o qual a consequente mensagem sobre o respeito às diferenças e, portanto, celebração à diversidade (não apenas musical, mas sim em todos os sentidos), embora válida e super bem-vinda, às vezes beira a pieguice pelo tom de "verdade absoluta" com que nos é transmitida.

Caso o filme fosse destinado exclusivamente ao público infanto-juvenil, seria plenamente compreensível a opção pelo didatismo da mensagem oferecida. Porém, visto que há evidentes pretensões de que Trolls 2 seja um filme destinado "para toda a família", aí sinceramente esse tom de pregação de um ideal, soa um tanto forçado e até exagerado.


Aliás, eu particularmente detestaria viver num mundo onde os roqueiros (minha tribo preferida) representassem o conservadorismo em forma de música e comportamento. Afinal, música pra mim é muito mais que "autotunes e remixes".