JACKIE (idem)


Dois filmes num só

Há uma máxima no cinema - raramente quebrada com maestria - que diz que "cinema é imagem". Em Jackie, o diretor chileno Pablo Larrain (O Clube, 2015) - em sua estreia em Hollywood - comete o mesmo erro, corroborado pela montagem de Sebastian Sepulveda (Jovem Aloucada, 2012).


O filme aborda uma entrevista dada por Jaqueline Kennedy (Natalie Portman) pouco após a morte de seu marido John F. Kennedy. Na reportagem, o jornalista - interpretado por Billy Grudup (Spotligh - Segredos Revelados, 2015) - toma contato com a verdadeira personalidade da mais importante primeira-dama americana, e sobre o personagem que ela sente necessidade de criar e mitificar. Ela revela os momentos mais difíceis que se seguiram após o assassinato, como o momento de contar aos seus filhos o que tinha acontecido, e sobre a necessidade que sentiu de fazer do presidente - e de si mesma - figuras míticas para a nação americana e mundial, pondo em risco a própria integridade física.


A protagonista está impressionante, captando não apenas os maneirismos - caraterísticos da biografada - como também a força que precisa extrair da dor que vivencia. Grudup também está muito bem, assim como Peter Sarsgaard (Bobby Kennedy), Greta Gerwig (Nancy Tuckerman) e John Hurt (padre).

Enquanto Larrain se concentra na entrevista, o ritmo é lento e cansativo, com muitos - e longos - diálogos, alternando entre closes e supercloses, com pouquíssimos movimentos de câmera. Porém, quando o filme entra nas memórias da personagem - apresentando os bastidores da presidência da maior potência do mundo - ganha novo fôlego, colocando o público do ônus e do bônus de se ocupar um cargo tão importante.


Jackie apresenta momentos fortes, como a cena onde a primeira-dama limpa seu rosto coberto de sangue de seu marido assassinado, ou mesmo quando ela confessa que a famosa imagem em que rasteja até a parte traseira do carro - quando seu marido é baleado - foi numa tentativa de guardar partes de seu cérebro na vã tentativa de salvá-lo.


Como se fossem dois filmes diferentes, uma parte é forte e envolvente nas reconstituições, mas quando consegue prender a atenção do público, erra ao voltar para a outra parte, a da entrevista, que tenta sustentar por diálogos e deixa a máxima do cinema - mencionada no início deste texto - de lado.

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