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Atualizado: 17 de out. de 2025


UMA BELA SURPRESA COM APENAS UM “PORÉM”

 

por Antonio de Freitas

 

Missão Pet (Falcon Express, 2025) é uma produção francesa que se aventura em um território onde, raramente, as grandes produções americanas encontram adversários capazes de serem competidores à altura de suas obras. É o no campo dos longas metragens de animação computadorizada - dominado por superproduções - que, na maior parte, são continuações ou “spinoffs” que repetem as mesmas fórmulas de roteiro, mas conseguem ganhar o público no quesito de espetáculo visual.



Na falta de milhões de dólares para encher a tela, resta aos concorrentes apostar nas histórias mais criativas e fugir dos clichês de gênero para ter armas nessa guerra pelo público. E esta produção em questão oferece um visual lindamente produzido e ousa mergulhar em um famoso clichê dos filmes de ação de Hollywood: a aventura mirabolante em um espaço fechado ou meio de transporte com a possibilidade de um desastre como um avião, navio ou um trem, que é o caso do nosso filme.


Falcon é um Guaxinim que é uma espécie de “Robin Wood” de uma grande cidade e passa o dia dando pequenos golpes e surrupiando comida para dar para os seus amigos necessitados, os animais de rua. O natal está chegando e Falcon tem um plano de assaltar a cozinha de um Trem de passageiros que vai partir da estação ao lado de onde a comunidade de bichos mora. Tudo corre como planejado, ele consegue entrar no trem e, quando está se dirigindo para a cozinha, descobre que o trem partiu em alta velocidade sem ninguém no comando.


A partir desse momento começa uma aventura que não deve nada aos blockbusters do gênero. Ação desenfreada, suspense, surpresas e reviravoltas na história. Entram em cenas os animais que estão encerrados em gaiolas colocadas em um vagão especial e a variedade de personalidades conduz a brigas e competições que só enriquecem a história que está repleta de referências de filmes de ação famosos. Falcon tem que lutar para parar o trem e lidar com os preconceitos dos PETS que o consideram um reles bandido.


É uma animação bonita visualmente com texturas e iluminação de primeira qualidade. Os personagens são bem desenhados nos dois sentidos: no campo do design com traços de humanos na medida e no campo do psicológico onde cada um tem sua peculiaridade. Formam uma horda divertida que se transforma em um espetáculo à parte. E há piadas e situações que podem agradar à adultos e crianças também. Uma obra surpreendente que, com certeza, tem todas as qualidades para se transformar em um grande sucesso.


Existe apenas um “porém” nesse filme. É uma produção francesa com artistas e técnicos franceses e apostaram em fazer a história se passando em uma espécie de universo genérico com fortes caraterísticas de Estados Unidos. Acho que a França teria uma quantidade imensa de imagens e detalhes de cultura que poderiam ser representadas nesse filme.





TRAJETÓRIA DE UM PEQUENO GIGANTE 

por Ricardo Corsetti 


Excelente cinebiografia de um pequeno gigante Charles Aznavour (1924-2018), ótimo cantor e excelente compositor, além de um autêntico ícone da música/cultura francesa.

Aznavour é - aqui - brilhantemente interpretado pelo sempre ótimo Tahar Rahim (O Profeta, 2009). Sendo que o único senão do filme é mesmo a pesada maquiagem utilizada para "transformá-lo" em Aznavour, visto que, embora ótimo ator, Rahim, na verdade, não possui nenhuma semelhança física real com o cinebiografado.


No mais, porém, o filme é muito bem dirigido, tem ótima fluência e desenvolvimento narrativo, além de apresentar um primoroso trabalho de direção de arte (cenografia e figurinos) em termos de reconstituição de época.


Merece também destaque, a forma bastante direta e objetiva em que apresenta a relação profissional e de amizade entre Aznavour e outro ícone supremo da música popular francesa: Edith Piaf (1915-1963). Se por um lado Piaf foi, inegavelmente, muito importante na fase inicial da carreira de seu jovem pupilo, por outro lado, a verdade é que ela - seja por "ciúme" de seu inegável talento, ou até mesmo, medo de perder o amigo a longo prazo - também acaba, digamos assim, o podando bastante e, muitas vezes, tentou fazê-lo desacreditar de seu talento, dizendo-lhe, por exemplo, que "sua voz não era boa". Em resumo, outro grande mérito do filme, é nos mostrar que os deuses também são humanos em suas atitudes.



Outra passagem real, aliás, de "Monsieur Aznavour" que merece destaque é a impagável cena em que Aznavour e seu amigo simplesmente gastam todo o dinheiro que haviam ganho, até então, para comprar suas passagens aos EUA, indo atrás de Edith Piaf, crendo lá chegando, serem incluídos na turnê norte-americana da diva, em meados dos anos 50. Detalhe: eles simplesmente não faziam ideia de que era necessário o visto de autorização em seus passaportes para entrarem nos EUA. Resultado: são imediatamente presos e, durante uma espécie de entrevista com a agente de imigração, ao provarem serem cantores e conhecerem os principais standards do jazz norte-americano, conseguem assim, finalmente, o visto de autorização para lá permanecerem.


Pouco tempo depois Aznavour retorna à França. Após muita batalha, alcança a consagração como cantor e compositor popular. Mas, claro, não sem antes - na qualidade de filho de refugiados argelinos - descobrir na pele que a famigerada doce terra do "liberdade, igualdade e fraternidade", na prática, foi e sempre será, um autêntico poço de preconceito e intolerância.

Com distribuição da Imovision aqui no Brasil, Monsieur Aznavour, sem a menor dúvida, merece uma boa conferida. 





O SEMPRE INEVITÁVEL CHOQUE DE CLASSES


por Ricardo Corsetti



Interessante e competente drama com toques de suspense policial onde, claro, o grande destaque é a presença da autêntica diva suprema do cinema francês contemporâneo: Isabelle Huppert (A Professora de Piano, 2001). Mas, justiça seja feita, a jovem e bela Hafsia Herzi (Rapto, 2024), também não faz feio como protagonista deste, ao mesmo tempo, belo, sensível e trágico filme.



Filme de estreia na direção da experiente atriz e assistente de montagem Patricia Mazuy, A Prisioneira de Bordeaux aborda a improvável relação de amizade entre duas mulheres oriundas de universos sociais e culturais muito distintos, mas com algo de fundamental em comum: ambas possuem seus companheiros - atualmente - encarcerados no mesmo presídio.


Nesse contexto, apesar da aparentemente real amizade que surge inesperadamente entre elas, cedo ou tarde, as diferenças (sobretudo econômicas) que existem acabam se revelando, na prática, intransponíveis, gerando uma série de mal-entendidos, culminando num trágico - e ao mesmo tempo poético - desfecho.


Obs: a atuação de Isabelle Huppert é construída por meio de uma série de sutilezas e com, digamos, um senso de humor ácido e bastante peculiar.



E aproveito o contexto do filme em questão, para comprovar minha experiência pessoal, ao longo da vida, no sentido de também tentar conviver e acreditar na amizade de gente que faz parte de um universo muito diferente/distante do meu, a dica é sempre: nunca confie, de fato, na generosidade de gente rica, pois ela sempre terá, mais adiante, um preço muito alto a ser pago.


Segundo lançamento da distribuidora Autoral Filmes no Brasil, A Prisioneira de Bordeaux estreou em 7 de agosto nos cinemas de todo o país e, sem dúvida, merece uma boa conferida.



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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