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Atualizado: 15 de jun. de 2025


OS ALEMÃES TAMBÉM TEM SEU “JEITINHO”


por Antonio de Freitas


Comédia alemã escrita dirigida por Natja Brunckhorst (Alles in bester Ordung, 2021), que tem uma carreira curta na cadeira na direção, mas fez sensação nos anos 80 como um dos nomes fortes da grande explosão do Cinema Alemão daquela década. Foi ela, aos 15 anos, a protagonista do famosíssimo e superpesado Eu, Christiane F.,13 anos, drogada e Prostituída (Christiane F. Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, 1981) um filme baseado em no “Best Seller” do mesmo nome que contava a história real da descida ao inferno de uma menina que se vicia em heroína.

Fugindo totalmente do baixíssimo astral de sua estreia no cinema, Natja cria uma história que se passa em um momento extremamente importante da história mundial: A queda da União Soviética e a união das duas Alemanhas, que antes eram separadas pelo muro de Berlim cuja demolição inaugurou oficialmente este evento. E através da ótica dos habitantes da Alemanha Oriental que, até então, vivia sob o jugo dos comunistas. Uma ideia muito interessante com muitas possibilidades de desenvolvimento.


Tudo se passa na pequena cidade de nome Halberstadt, que enfrenta já os problemas causados pela unificação das duas Alemanhas. Tudo está mudando para o modelo capitalista e todos devem atualizar seus documentos, assim como trocar a moeda corrente. A dona de casa, Maren, interpretada pela ótima atriz e merecidamente premiada Sandra Huller (Anatomia de uma Queda, 2023), está envolvida com isso ao mesmo tempo que sonha com a liberdade de viver no novo sistema. O cotidiano de sua família - formada por um marido meio banana, um casal de filhos e sua mãe - é quebrado quando o cunhado volta para a cidade e reencontra um amigo, funcionário público do sistema soviético que tem uma coisa interessante para mostrar. Algo bem inusitado que vai acabar gerando um grande impacto.

E o grupo segue o senhor até um terreno murado onde entram escondidos em uma espécie de bunker onde estão jogadas montanhas de notas do sistema financeiro antigo que já foram trocadas pelos Marcos Ocidentais. Por diversão e aventura resolvem levar vários sacos daquelas notas que, segundo eles, não valiam mais nada. Chegando no apartamento conseguem forrar a sala toda com essas pilhas de notas e estão brincando e achando graça naquilo até que, através de um vendedor de panelas da Alemanha Ocidental, descobrem que aquelas notas ainda valem por apenas 3 dias. E é nesse momento que o filme começa de verdade. Com exceção do funcionário público, todos eles já haviam trocado suas notas e contas bancárias para o sistema ocidental e não podem depositar mais no banco e, assim, ficam com o dilema de como gastar aqueles milhões e se dar bem.


O que se segue é um filme movimentado, com um elenco extremamente eficiente e tipos tão bem caracterizados que ganham a simpatia do espectador assim que aparecem pela primeira vez. Todos eles muito bem dirigidos por uma diretora que sabe orquestrar cenas com vários personagens com ações e falas em sequências em que várias coisas acontecem ao mesmo tempo. Ela peca um pouco por não apresentar direito a cidade e a situação das pessoas daquele país que havia acabado de deixar de existir, além de se valer de uma trilha sonora um tanto intrometida e onipresente, que insiste em criar vinhetas musicais para ações das pessoas.


Não chega a se tornar uma comédia escrachada que arranca gargalhadas da plateia como as de Hollywood, italianas ou mesmo as nossas. Mas consegue ser um filme divertido que captura o espectador com a simpatia e plausibilidade dos personagens que nos leva torcer por eles e até ficar surpresos com o fato que os alemães podem ter também um “JEITINHO” para dar um olé na ética e nas instituições para se dar bem.



IMPOSSÍVEL AINDA SOAR CRIATIVO


por Ricardo Corsetti 


É realmente uma missão impossível (para não perder o infame trocadilho) não sentir uma certa decepção em relação ao novo e, em tese, "último" episódio da famigerada franquia.


Sobretudo ao comparamos este fraco "episódio de encerramento", com o ótimo filme anterior: Missão Impossível - Acerto de Contas (2022), dividido em dois ótimos filmes, aliás.



Embora o experiente diretor e roteirista Christopher McQuarrie (Os Suspeitos, 1995) ainda seja também responsável pelo novo filme e, apesar de sua inegável competência técnica, o fato é que ele se mostra claramente incapaz de superar ou mesmo disfarçar a evidente previsibilidade do desfecho de praticamente todas cenas/sequências.


Há muita ação e tensão ao longo de todo o filme? Sim, mas é tudo realmente muito previsível. A cena envolvendo um certo comprimido de cianureto, por exemplo, logo no início da trama, chega mesmo a ser risível, por conta de seu mais do previsível desfecho.


Talvez a única coisa que salve Acerto Final de seu um fiasco quase que completo seja mesmo a evidente "química" presente entre o veterano Tom Cruise (De Olhos Bem Fechados, 1999) e sua parceira de cena, a bela e talentosa Hayley Atwell (Doutor Estranho No Multiverso da Loucura, 2022).


O epílogo - final - da trama, além de estendido à exaustão, graças ao seu tom absolutamente novelesco, decepciona e só comprova que a história realmente não tinha fôlego para segurar quase três horas de filme.

E para quem realmente acreditou na lorota de que este seria, de fato, o "último episódio da franquia", tolinhos... É evidente que isso não irá se confirmar. Tanto pelo fato de que Acerto Final, em seu desfecho, já deixa tudo engatilhado para, sim, uma nova sequência, como também porque, como diria Orson Wellles: "This is Hollywood". E, portanto, enquanto a ultra-famosa e bilionária franquia continuar sendo lucrativa, estejam certos, novos episódios virão. Obs: com ou sem Tom Cruise como protagonista.



por Ricardo Corsetti


Em 25/04 tivemos a noite de Abertura do Festival Imovision de Cinema Europeu, no Reserva Cultural, já tradicional cinema de São Paulo, localizado na Avenida Paulista, 900.


Convidados internacionais estiveram presentes ao evento, dentre eles, a jovem diretora francesa Audrey Diwan, apresentando seu mais recente filme Emmanuelle (2025) que, obviamente, se trata de uma nova versão (ao que tudo indica, "empoderada" e politicamente correta - do clássico filme de 1974, dirigido por Francis Lai).


Entretanto, quem realmente causou polêmica ao subir ao palco para apresentar seu novo filme A Luz (2025), foi o badalado diretor alemão Tom Tykwer (sim, o eterno diretor do clássico indie Corra, Lola, Corra!, de 1997) pois, após relatar sua passagem por Niterói (RJ) para participar da versão carioca do festival, relatou o roubo de seu celular, etc; concluindo tal relato com a sugestiva frase a respeito do Brasil: "It's a dangerous country" (Este é um país perigoso), gerando revolta por parte de alguns espectadores convidados ali presentes. Obs: e o mais tragicômico em tudo isso foi ver a tradutora contratada tentando "consertar", de alguma forma, a gafe cometida pelo diretor, complementando: "Mas, gente, ele está falando sobre o Rio de Janeiro e não sobre São Paulo (risos).


Mas, felizmente, nem só de gafes, viveu esta noite de abertura pois, em seguida, foi exibido o longa-metragem norueguês Dreams (2024), dirigido por Dag Johan Haugerud, no caso, eis o filme vencedor do Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim.


Filme sensível e delicado acerca da famigerada descoberta da sexualidade e, portanto, da "vida adulta", por parte de uma jovem estudante.


Drama interessante e bem conduzido, contando com boas atuações. Embora, em alguns momentos, desande um pouco - em termos de ritmo narrativo -, talvez por conta de algumas sequências um tanto desnecessárias.


Na minha modesta opinião, não vejo em Dreams, propriamente um filme digno de um prêmio de tamanho prestígio, apesar de suas inegáveis qualidades, dentre elas, o talento e beleza da jovem protagonista, vivida por Ella Overbye (Nossas Crianças, 2019) que, a propósito, me lembrou muito uma atriz francesa à qual eu adoro: Sandrine Bonnaire (Aos Nossos Amores, 1984).


IMPORTANTE: O Festival Imovision de Cinema Europeu encerra suas sessões presenciais em 30/04, mas os filmes inéditos que compuseram o festival estão agora disponíveis no streaming da distribuidora Imovision: www.reservaimovision.com.br

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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