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Atualizado: 24 de jun. de 2023




PARK CHAN-WOOK EM FASE DE TRANSIÇÃO



por Ricardo Corsetti


É no mínimo curioso notar que em seu mais recente trabalho, o já lendário diretor sul-coreano de Oldboy (2003), Park Chan-Wook, parece ter incorporado o cineasta chinês Wong Kar-Wai, diretor do belíssimo Amor À Flor da Pele (2000).

Pois, apesar da subtrama policial, o que realmente impera em Decisão de Partir, é mesmo o romantismo característico da obra de seu contemporâneo chinês.


Mas isso não quer dizer, de forma nenhuma, que Park Chan-Wook tenha perdido sua personalidade e "assinatura". Afinal, seu trabalho de direção em Decisão de Partir, é mesmo primoroso, caracterizado por uma decupagem bastante elaborada e criativa, além de primar também por um senso de humor muito peculiar.


Há algumas reviravoltas um tanto desnecessárias na trama mas, graças ao talento narrativo do diretor e corroteirista, isso não chega a comprometer o resultado.

Faltou apenas um pouco mais daquela deliciosa violência estilizada que normalmente caracterizava os melhores trabalhos de Park Chan-Wook, assim como ocorria no já citado e clássico Oldboy.


Obs: o "sadismo engajado" e pseudo-feminista da coprotagonista chegam a lembrar a personagem principal de Audition (1999), do célebre diretor japonês Takashi Miike. Mas de leve, bem de leve.


Em determinados momentos, Decisão de Partir pode até não parecer propriamente um filme de Park Chan-Wook mas, sem sombra de dúvida, é tecnicamente muito bem realizado e só comprova que a Coréia do Sul é, atualmente, uma autêntica super potência cinematográfica.


Atualizado: 24 de jun. de 2023





CREPÚSCULO DE UMA DEUSA


por Ricardo Corsetti


Divertida comédia dramática a respeito de um charmoso casal de vigaristas e aproveitadores profissionais, vivido por Pierre Niney (Golias, 2021) e pela bela e charmosíssima Marine Vacth (Jovem e Bela, 2013).

O principal mérito de A Farsa, aliás, reside na qualidade de seu elenco que conta ainda com o excelente François Cluzet (Intocáveis, 2011) e também com a ex-diva suprema do cinema francês Isabelle Adjani (Possessão, 1981).


Observação pertinente: ao lado da outra Isabelle (Huppert) de A Professora de Piano (Michael Haneke, 2002), por exemplo, mademoiselle Adjani sempre foi uma de minhas atrizes preferidas, mas, após ver seus mais recentes trabalhos, uma conclusão é inevitável: ela realmente não é mais a mesma. E não digo isso apenas por conta de sua atual aparência física, claro que não. Mas é fato que tal aparência, onde já não é possível encontrar qualquer expressão facial, obviamente, acaba comprometendo seriamente seu desempenho como atriz. Fato realmente lamentável.

O desenvolvimento da trama acaba pecando um pouco pelo excesso de reviravoltas, às vezes desnecessárias. Mas, em termos gerais, funciona muito bem graças a um elenco - em sua maioria - muito afinado, que nunca deixa a coisa desandar.

Filme charmoso e elegante, com destaque para um belo trabalho de direção de arte (cenografia e figurinos), onde há inclusive - nas entrelinhas - um certo "Q" de crítica/sátira à hipocrisia das convenções sociais presente no universo da burguesia francesa, mas que, cá entre nós, caracteriza o universo das elites em qualquer lugar do mundo.


Um filme tipicamente europeu, cuja sutileza com que se apresentam determinadas situações, dificilmente seria vista num filme norte-americano, por exemplo.




Atualizado: 24 de jun. de 2023




RELAÇÕES SOCIAIS (OU AUSÊNCIA DE) NO MUNDO CONTEMPORÂNEO


por Ricardo Corsetti

Singelo e divertido filme sobre a superficialidade das relações humanas no mundo contemporâneo, caracterizado pela frieza das redes sociais e quase total ausência de interação real entre os indivíduos.

Pronto, Falei se insere na tradição da comédia romântica nos moldes norte-americanos, mas o faz com personalidade, adaptando sua linguagem ao humor brasileiro.

A perfeita sintonia entre o afinado elenco, capitaneado pelo jovem Nicolas Prattes (O Segredo de Davi, 2018), vivendo o tímido revisor de textos, Renato, é realmente perfeita.

Destaque também para o personagem vivido por Rômulo Arantes Neto (Quem Vai Ficar com Mário?, 2021), um autêntico "amigo da onça". O eterno "galã cafajeste" das telenovelas, realmente mostra aqui, bastante talento dramático.

E a belíssima Duda Santos (estreante em longa-metragem), também rouba a cena ao viver a injustiçada jornalista investigativa de um grande jornal.


O experiente diretor de séries Michel Tikhomiroff (A Garota da Moto, 2016), mostra talento também para o cinema e, sobretudo, para o eficiente trabalho de direção de atores.

Longe de ser o mais original filme já realizado em terras brasileiras e apesar de suas claras referências ao já citado subgênero norte-americano Comédia Romântica, Pronto, Falei no entanto, graças a seu roteiro simples, mas muito eficiente e simpático, tem tudo para ser o filme perfeito para ser assistido neste fim de ano, período sempre caracterizado pelas reflexões a respeito do rumo e escolhas que determinam nossas vidas.



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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