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Atualizado: 24 de jun. de 2023



EMPREENDENDO COM FÉ

por Ricardo Corsetti Muito boa sátira/crítica aos "vendilhões da palavra divina" no Brasil contemporâneo. O protagonista vivido por Marcelo Adnet (Os Penetras, 2012), sem dúvida, se assemelha enormemente a certas figuras da vida real que, graças ao exploração da boa fé e, claro, ignorância alheia, estão por aí, ficando mais ricos a cada dia que passa e até mesmo adquirindo grandes emissoras de rádio e TV.

Adnet, aliás, mostra talento como ator dramático e não apenas nos momentos cômicos da trama. O que, obviamente, colabora em muito para o desenvolvimento da história, sempre na medida certa entre humor e "denúncia social". Destaque também para a bela Letícia Lima (Quem Vai Ficar com Mário, 2021), vivendo a esposa do ex-técnico de informática e locutor de telemensagens rumo a sua escalada em direção à fama e fortuna após sua conversão no pastor sensação de uma emissora de rádio fictícia.

O filme também acerta ao não optar pelo clássico e previsível "drama de consciência" vivido pelo personagem já próximo ao desfecho da trama. Pois, ao contrário do que ocorreria num típico filme norte-americano do gênero, por exemplo; tal "drama de consciência" aqui, na prática, ocorre muito mais por conta da possibilidade de que o protagonista possa sofre algum tipo de punição (prisão, por exemplo) ou mesmo vir a perder a privilegiada posição social que conquistou, do que por uma real crise de consciência do sujeito, por conta da exploração à qual expõe seus fiéis. Ponto para o realismo de Nas Ondas da Fé, nesse sentido. Duração enxuta e roteiro eficiente (coescrito pelo próprio Adnet), sem grandes furos ou clichês narrativos, também são qualidades presentes no filme que, portanto, merece uma boa conferida.


Atualizado: 24 de jun. de 2023




PERSONAGEM ESSENCIAL, FILME NEM TANTO


por Ricardo Corsetti


A cinebiografia a respeito da famosíssima escritora britânica Emily Bronte (1818-1848), autora do célebre romance O Morro dos Ventos Uivantes (1847), embora bem produzida, não chega de fato a empolgar.

Talvez isso se deva à inexperiência de Frances O'Connor em sua estreia na direção de longa-metragem, pois, ao longo de suas 2 horas e 10 minutos de duração, há momentos em que o filme pesa como chumbo, devido à ausência de um ritmo narrativo adequado.


Mas Emily tem lá suas qualidades, tais como: a reconstituição de época primorosa, bem como o talento e carisma de Emma Mackey (O Segredo do Lago, 2020) como protagonista que, aliás, lembra muito - até por conta do charmoso sotaque britânico bem marcado - o estilo de interpretação de sua conterrânea Keira Knightley (Orgulho e Preconceito, 2005).

A propósito, o filme em geral lembra bastante - tanto a estética quanto o tom utilizado - filmes estrelados pela musa britânica Keira Knightley, tais como o já citado Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação (2007) por exemplo, ambos dirigidos pelo competente Joe Wright.

Pena, porém, que Emily não possua o mesmo brilho proporcionado pelo ritmo narrativo adequado dos filmes de referência citados.


Mas merecem destaque as breves cenas em que a personagem título, digamos assim, experimenta um momento "sensorial", proporcionado pelo consumo de ópio.


O primoroso trabalho de direção de arte, em termos de cenografia e figurinos, também é digno de nota.


Mas sinceramente, é pouco, muito pouco, para se justificar essa cinebiografia a respeito de uma personagem tão historicamente relevante quanto o foi Emily Bronte que, embora seja vista oficialmente como autora de um único livro - o famosíssimo e frequentemente adaptado para o cinema O Morro dos Ventos Uivantes -, é também autora de uma vasta obra poética esquecida e destruída intencionalmente por sua irmã, Anne. E aí reside um dos grandes méritos do filme: nos revelar este fato.


Atualizado: 24 de jun. de 2023





TRAZENDO O SLASHER/GORE AO UNIVERSO MAINSTREAM NOVAMENTE


por Ricardo Corsetti


Embora não acrescente nada de verdadeiramente novo ao universo dos filmes slasher/gore (clássicos subgêneros do cinema de Horror), Terrifier 2 possui o indubitável mérito de, assim como ocorreu com o já clássico Jogos Mortais (James Wan, 2004) no início do século XXI, trazer o divertidamente sanguinário universo dos subgêneros mencionados ao cinema mainstream (destinado ao grande público).

Damien Leone (Terrifier, 2016) demonstra talento como diretor, mas não tanto como roteirista, visto que um filme deste segmento jamais precisaria ter 2 horas e 18 minutos, com cena pós-crédito ainda por cima! Sem dúvida, era possível ter "enxugado" bastante coisa na montagem.


Mas Terrifier 2 possui qualidades que compensam esta derrapada em termos narrativos, tais como: um personagem (vilão) muito interessante e a deliciosa trilha sonora claramente de inspiração oitentista, com aquela sonoridade produzida por sintetizadores, típica daquele período.

Destaque também para a bela e talentosa protagonista vivida por Lauren LaVera (Clinton Road, 2019), uma "final girl" de primeiríssima. Obs: acho absurdas, inclusive, algumas críticas excessivas à sua atuação, afinal, quem, em sã consciência, espera ver uma Meryl Streep (O Diabo Veste Prada, 2005) como protagonista de um slasher/gore?

Detalhe: e que fique claro que eu, particularmente, amo estes subgêneros, e por isso mesmo conheço suas características e convenções bem o suficiente para poder afirmar que LaVera é a protagonista perfeita para este filme.


Para quem já assistiu a alguns dos maiores clássicos do universo slasher/gore, tais como: Terror nas Trevas (Lucio Fulci, 1981), Banho de Sangue (Mario Bava, 1972) e Beyond the Darkness (Joe D'Amato, 1979), por exemplo, Terrifier 2 realmente não traz nada de novo mas, em função de seu caráter de "resgate" e homenagem aos subgêneros mencionados, merece uma boa conferida.


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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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