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Atualizado: 23 de jun. de 2023



MAIS DO MESMO COM ALGUM CHARME


por Ricardo Corsetti


É, realmente eu já perdi as esperanças de que o anteriormente genial diretor/roteirista Neil Jordan (Traídos Pelo Desejo, 1992), volte a dirigir um grande filme, pois seus últimos trabalhos, claramente, dão sinais de esgotamento de sua obra.

Eis também o caso do apenas mediano Sombras de um Crime, um "neo-noir" bem construído visualmente, mas um tanto sem sal em termos de desenvolvimento de trama.


E a esperança de vermos o veterano Liam Neeson (Busca Implacável, 2008) finalmente fazendo um papel minimamente diferente do que o vemos encarnando nas últimas décadas, também foi frustrada. Pois, apesar da boa matéria prima que ele tinha em mãos dessa vez - viver o célebre detetive fictício Philip Marlowe, criado pelo romancista Raymond Chandler (1888-1959) em The Big Sleep (1939) -, Neeson não consegue se libertar ou ir além dos velhos cacoetes de seus personagens de filme de ação, com movimentos coreografados em cenas de conflito físico absolutamente inverossímeis, diga-se de passagem, para um homem com mais de 70 anos.



Jessica Lange (King Kong, 1976), infelizmente, também decepciona em seu tão aguardado retorno às telas, com uma atuação over e caricata. Obs.: No entanto, é até possível que, neste caso, se trate mais de um erro em ternos de direção pois, provavelmente, Neil Jordan deve ter pedido a ela uma atuação mais "carregada", coerente ao estilo noir em que se desencadeia a trama. Mas, sinceramente, não funcionou.


Sem dúvida, o melhor desempenho no filme, em termos de atuação, é mesmo da sempre ótima e bela Diane Kruger (Adeus, Minha Rainha, 2011), apresentando uma femme fatale de primeira, mesclando humor e drama na medida certa, ao compor sua personagem.

Filme tecnicamente bem realizado, com um belo trabalho de direção de arte (cenografia e figurinos) em ternos de reconstituição de época, meados dos anos 40 e início dos 50, a era de ouro de Hollywood. Boa fotografia também. Mas é pouco, visto que o desenvolvimento da trama é um tanto capenga, bem como o próprio desenvolvimento das personagens, que carece de um melhor aprofundamento psicológico.


Em suma, Sombras de um Crime representa apenas um razoável entretenimento passageiro para os amantes do universo (literário e cinematográfico) noir, sobretudo.



Atualizado: 23 de jun. de 2023



SAGA INFINDÁVEL


por Ricardo Corsetti


É fato que a jovem dupla de diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin (Casamento Sangrento, 2019) conseguiu o que parecia ser simplesmente impossível, ou seja, revitalizar a saga iniciada em 1996 pelo grande e saudoso Wes Craven (diretor) e Kevin Willianson (roteirista), idealizadores do já imortal Pânico (1996).

E o que é melhor: respeitando o legado deixado pelos já citados criadores da mais famosa e bem sucedida franquia dos anos 90.

No entanto, a necessidade (ou opção) de parecer "inteligente" o tempo todo - à qual "Pânico 6" se auto-impõe - por meio do frequente uso da metalinguagem, visando satirizar/reverenciar todos os clichês do subgênero slasher, soa um tanto artificial em certos momentos. Mas nada que chegue a comprometer o bom resultado em termos gerais.


A fidelidade a uma regra fundamental à realização de um bom slasher, ou seja, a violência explícita, com sangue jorrando na tela a cada 5 minutos de filme, é um dos pontos altos da trama.


Porém, um pecado capital é também aqui cometido, graças à concessão aos padrões politicamente corretos e ao neo-moralismo contemporâneo que, fatalmente, resulta na realização de um filme pudico e assexuado. Sim, não há uma única cena de sexo ao longo de toda a trama.

Ora, qualquer fã minimamente familiarizado com o universo e regras do subgênero sabe que slasher sem sexo é, digamos assim, como churrasquinho de rua sem farofa: insípido.


A boa direção, que confere ritmo ágil e o elenco carismático, capitaneado pela bela Melissa Barrera (Um Bairro em Nova York, 2021) e também pela atual queridinha de Hollywood Jenna Ortega (Wandinha, 2022) equilibram o jogo e, apesar das ressalvas mencionadas, tornam Pânico 6 agradável de ser assistido. E, convenhamos, quase 30 anos após o início da - aparentemente infindável - franquia, termos um sexto episódio minimamente "assistível", sem dúvida, já está de bom tamanho.


Atualizado: 23 de jun. de 2023



MAIS DO MESMO, COM ALGUMA PERSONALIDADE


por Ricardo Corsetti

É fato que qualquer fã de cinema de horror, minimamente familiarizado com as convenções e clássicos absolutos do gênero, percebe de imediato, que 13 Exorcismos bebe direta e fartamente de duas fontes/ referências básicas: Carrie, A Estranha" (Brian De Palma, 1976), por conta de sua protagonista claramente oprimida pelo fanatismo religioso (católico) de sua mãe e, em segundo lugar, O Exorcista (William Friedkin, 1973) no desenvolvimento da trama.

Mas isso não significa que 13 Exorcismos seja, necessariamente, um filme ruim ou sem qualquer personalidade. Pois o diretor Jacobo Martinez, embora estreante nessa função, conduz a trama com razoável desenvoltura, embora, convenhamos, seja difícil nos convencer, enquanto expectadores, que num espaço de tempo tão curto (já que o filme possui apenas 1h40 min.), de fato, ocorreram 13 Exorcismos (rs).

Mas, felizmente, o carisma e boas atuações dos personagens envolvidos na história, compensam alguns deslizes em termos narrativos.


O fato de se tratar de um filme espanhol (latino) acaba, fatalmente, reforçando o caráter um tanto melodramático da trama. Mas isso não é propriamente um problema, pelo contrário, pois acaba conferindo um humor quase involuntário, em determinadas situações.

A boa trilha sonora também colabora bastante no sentido de manter o clima de tensão constante ao longo de todo o filme.


Longe de ser o mais original ou criativo filme de horror nos últimos anos, 13 Exorcismos, porém, cumpre relativamente bem sua função enquanto entretenimento descompromissado.



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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