top of page
Postagens recentes


O SEMPRE INEVITÁVEL CHOQUE DE CLASSES


por Ricardo Corsetti



Interessante e competente drama com toques de suspense policial onde, claro, o grande destaque é a presença da autêntica diva suprema do cinema francês contemporâneo: Isabelle Huppert (A Professora de Piano, 2001). Mas, justiça seja feita, a jovem e bela Hafsia Herzi (Rapto, 2024), também não faz feio como protagonista deste, ao mesmo tempo, belo, sensível e trágico filme.



Filme de estreia na direção da experiente atriz e assistente de montagem Patricia Mazuy, A Prisioneira de Bordeaux aborda a improvável relação de amizade entre duas mulheres oriundas de universos sociais e culturais muito distintos, mas com algo de fundamental em comum: ambas possuem seus companheiros - atualmente - encarcerados no mesmo presídio.


Nesse contexto, apesar da aparentemente real amizade que surge inesperadamente entre elas, cedo ou tarde, as diferenças (sobretudo econômicas) que existem acabam se revelando, na prática, intransponíveis, gerando uma série de mal-entendidos, culminando num trágico - e ao mesmo tempo poético - desfecho.


Obs: a atuação de Isabelle Huppert é construída por meio de uma série de sutilezas e com, digamos, um senso de humor ácido e bastante peculiar.



E aproveito o contexto do filme em questão, para comprovar minha experiência pessoal, ao longo da vida, no sentido de também tentar conviver e acreditar na amizade de gente que faz parte de um universo muito diferente/distante do meu, a dica é sempre: nunca confie, de fato, na generosidade de gente rica, pois ela sempre terá, mais adiante, um preço muito alto a ser pago.


Segundo lançamento da distribuidora Autoral Filmes no Brasil, A Prisioneira de Bordeaux estreou em 7 de agosto nos cinemas de todo o país e, sem dúvida, merece uma boa conferida.



FILME “MUDERNIM” DE ARAQUE

por Antonio de Freitas


A Duquesa Vingadora (Duchess, 2024) é um filme de Neil Narshall (Cães de Caça, 2002) e isto basta para gerar certo interesse. Apesar de ser um dos culpados por aquele péssimo Hellboy - de 2019 -, ele foi o criador de um dos melhores filmes de lobisomem da história que é o Cães de Caça (Dog Soldiers, 2002) e do claustrofóbico e enigmático Abismo do Medo (The Descent, 2005), que gera discussões e teorias até hoje. Por isso, apesar do tropeço monstruoso, ainda existe esperança de ver algum filme dele que, pelo menos, tenha um pouco da originalidade e ousadia dessas duas joias do cinema.


O filme começa com um homem tipo mafioso entrando em um quarto onde uma ruiva o espera na cama vestindo uma lingerie sensual. Há um diálogo repleto de clichês de filme de gangster e a cena termina em um banho de sangue bem exagerado. A imagem é congelada e os nomes dos personagens aparecem sobre cada um deles e seguidos de uma ligeira apresentação de uma voz de mulher que, logo depois sabemos, vai ser a protagonista e narradora da história. Ela é Scarlett Monaghan, interpretada com uma raríssima falta de talento por Charlotte Kirk (Oito Mulheres e um Segredo, 2018). Sua atuação deixa a dúvida sobre o que estava pensando o diretor quando aceitou uma atriz que nem consegue franzir a testa (excesso de botox?) em um filme repleto de emoções fortes.


E Scarlett nos conta sua história de vida começando com sua vidinha medíocre de trambiqueira de boates, onde seduz homens para lhes roubar as carteiras até o momento que conhece um misterioso e elegante homem com quem tem uma forte paixão à primeira vista. A partir daí ela entra em turbilhão de eventos repletos de muita violência, em cenas super movimentadas, com lutas e tiroteios orquestrados para serem o mais espetacular possível, com diálogos e movimentos de câmera pretensamente criativos para soarem como parte de um filme ousado, seguindo a moda dos filmes "moderninhos", recheados de referências da cultura pop que seguiram o sucesso de Quentin Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood, 2019). E vale muito lembrar também de Guy Ritchie (A Fonte da Juventude, 2025)

E é isto que A Duquesa Vingadora é: uma tentativa de fazer um filme nesse estilo, com umas cenas de violência exagerada - beirando o TRASH - convivendo com outras que desbragadamente expõem suas inspirações em outros estilos cinematográficos. E tudo isso com uma protagonista bonita, mas inexpressiva, que fica apertando os olhos achando isso sexy, mas acaba parecendo que ela tem uns 6 graus de miopia e está sem óculos. Definitivamente um filme moderninho de “Black Friday”. Ou melhor, de “Black Fraude”.


THRILLER MISTURADO COM COMÉDIA DARK

por Antonio de Freitas


Crypto – A Aposta Final se apresenta com letras garrafais que é uma apresentação de Steven Soderbergh (Presença, 2024), cujo nome não aparece nos créditos posteriores e isso soa como sendo apenas uma força que o famoso diretor está dando para seus amigos. Talvez funcione como um selo de qualidade atestando que o filme a seguir faz parte da linha de filmes fora do estilo “hollywoodiano” desse famoso diretor.

E é isso que o filme pretende ser, uma comédia de ação e humor negro fora dos padrões comerciais que questiona os valores da sociedade e a economia abrigada no mundo virtual. E é neste mundo que Billy vivido pelo Raúl Castilho (Cassandro, 2023) confia quando aposta todo seu dinheiro na Cripto Moeda Tulip, uma novidade lançada pelo magnata Charles Hegel, interpretado por Josh Brener (Silicon Valley, 2014-2019). Com isso tem a esperança de conseguir comprar uma casa e poder brigar com sua azeda ex-mulher pela guarda compartilhada da filha. É natal e, animado com a valorização da moeda, ele visita a filha levando um presentão para depois ter mais uma discussão com a “Ex” que o subestima. Sua confiança na virada de vida é destruída quando nota que a moeda não vale mais nada e a morte de Charles Hegel é anunciada.


Desesperado Billy ainda tem que aguentar a pressão do amigo Don, cujo papel é vivido pelo ator Tony Cavalero (Cobra Kai, 2018-2025), um professor de artes marciais furioso por ter sido convencido pelo protagonista a investir na tal moeda. Os dois estão completamente desorientados quando conhecem Eva, na pele de Melonie Diaz (Charmed: Nova Geração, 2018-2022), uma outra vítima do desastre financeiro. Sem mais nem menos, ela atira uma verdade na cara dos dois, Charles Hegel está vivo e escondido em uma mansão da qual ela tem a localização. Neste momento o filme realmente engata na ação, o trio é formado e parte para uma jornada de vingança querendo sequestrar o homem para fazerem justiça para si mesmos e o resto de investidores que perderam tudo com o golpe financeiro de Charles. Lógico que tudo vai dar errado e gerar muita confusão.

Temos aqui uma comédia que se propõe a discutir tantos detalhes da vida e das instituições que se perde no caminho por tentar abordar muitos assuntos ao mesmo tempo. Mas não perde seu charme, fortalecido pelo ótimo elenco que cria personagens realistas, cheios de defeitos e fáceis de gerar empatia no público, que pode se identificar com a ira e os erros dos três protagonistas assim como seu senso de justiça. Não chega a ser uma comédia desvairada que arranca gargalhadas, mas entrega uma história divertida que nos dá elementos que podem gerar questionamentos sobre a fragilidade de nossas instituições e ideias. Principalmente a do conceito de que os super ricos são os pilares da sociedade capitalista.


Search By Tags
  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Google Classic
Featured Posts
Follow Us

Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

bottom of page