
PARAÍSO DOS NERDS
por Ricardo Corsetti
Visto que, obviamente, o filme em questão se destina, primordialmente, aos aficcionados pelo célebre jogo de videogame Sonic da geração SEGA e como eu, particularmente, perdi o interesse por jogos eletrônicos desde os tempos do ATARI, GEMINI, SUPER GAME CCE, etc - lá nos longínquos anos 80 e início dos 90 - é um tanto difícil para mim, ter empatia ou mesmo um real interesse por Sonic 3.

Dito isso, não por acaso, foi mais fácil para mim - espectador novato dos personagens apresentados - me indentificar com o vilão da trama, no caso, o angustiado e rebelde Shadow, dublado originalmente na versão em inglês por Keanu Reeves (Matrix, 1999).
Em termos técnicos, um filme realmente bem realizado em termos de direção e efeitos especiais. Ao contrário do que ocorre em outras produções norte-americanas recentes, nas quais o excesso e má qualidade dos efeitos em CGI (computação gráfica) são gritantes, comprometendo o resultado geral. Aqui, os efeitos me parecerem bem realizados e até verossimeis.
Mas, creio que a pergunta que realmente não quer calar em relação a Sonic 3, é mesmo: Qual teria sido o tamanho do cachê pago a Jim Carrey para que ele voltasse a viver o personagem Doutor Robotnik? Afinal, não era ele mesmo quem, até então, vinha se autodeclarando "aposentado"?

É, meus caros, realmente todo mundo tem seu preço (risos).
Em resumo, um filme para aficcionados, com bom ritmo narrativo, personagens relativamente bem construídos e carismáticos, mas, sem grandes novidades.
Minha menção honrosa ao vilão "boa praça", Shadow. Aliás, quanto mais se descobre aos poucos sobre seu passado, mais fácil será se identificar com ele. Fica a dica.

QUEM CAI NA ARMADILHA É O ESPECTADOR
por Antonio de Freitas
O primeiro desenho animado do famoso ratinho Mickey Mouse, o Vapor Willie (Steam Boat Willie, 1928) passou para o Domínio Público e, portanto, teve o mesmo destino de seu companheiro um pouco menos famoso - Ursinho Pooh - acabou nas garras de um diretor oportunista que, faminto de sucesso, resolveu embarcar na onda de filmes que transformam personagens de fábulas infantis em figuras de apelativos filmes de terror com orçamentos baixíssimos e completamente destituídos de talento.

Mouse Trap (2024) começa parodiando os créditos da lendária saga Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977). A sensação é que vamos ver um daqueles filmes que tentam recriar o sucesso daquelas paródias de gêneros do cinema que fizeram a festa dos espectadores nos anos 80, mas somos apresentados a um filme de terror que tenta ter momentos de comédia de humor negro com ridículas e poucas inspiradas cenas que acabam virando pura vergonha alheia. E ainda copiam a franquia Pânico (Scream, 1996) tentando inserir diálogos de metalinguagem onde os atores citam as regras de filmes de terror e parecem admitir saber que são personagens de um filme do gênero.
A história é contada por uma moça punk que está presa e sendo interrogada por dois policiais. Sabemos que houve uma chacina e ela é um dos sobreviventes. Somos apresentados a duas funcionárias de uma imensa Casa de Diversão com games e parque de brinquedos, que até é uma bela locação com muitas oportunidades de se criar cenas interessantes. Pena que isso não acontece.

As duas ficam fazendo hora extra após o fechamento e tem uma surpresa com a chegada de um grupo de amigos, que foram ali para fazer uma festa surpresa de aniversário para uma delas. A surpresa acaba sendo do espectador porque esse grupo é composto com os piores atores e atrizes que se tem notícia. A coisa piora ainda mais por terem as mais pobres e desmilinguidas caracterizações dos mais do que batidos tipinhos de filmes de terror. Estão ali o garotão “badboy”, a safada da turma, o esportista, a loirinha tonta, o nerd, a punk e o esportista. Juntos conseguem dar um espetáculo de raríssima falta de talento ao falar roboticamente os diálogos para lá de pobres.

A situação está construída. Eles ficam trancados ali dentro e aparece um tipo com uma máscara de Mickey afim de trucidar os adolescentes “fakes” interpretados por atores com mais de 25 anos. A origem desse assassino é uma coisa sem pé nem cabeça e seria melhor imaginar que é o espírito do Mickey que ficou revoltado diante de um filme tão ruim. Não assusta, não diverte e nem mostra cenas de mortes violentas porque tudo é mostrado de forma sutil ou fora do quadro. E a ação é sempre interrompida pelas cenas da punk que conta a história deixando o ritmo do filme mais desengonçado ainda.
É uma produção que não consegue nem chegar perto do baixíssimo nível dos filmes da mais do que infame produtora Asylum, cujos filmes idiotas de tubarão ficam parecidos com grandes obras clássicas se forem comparadas com essa coisa que nem merece ser chamada de filme. A tradução do título é "Armadilha de Rato", mas está montada para os espectadores serem as vítimas.

TENTANDO REPETIR O IMPOSSÍVEL
por Ricardo Corsetti
"O sonho do escravo não é a liberdade, mas sim, ter ele próprio também, seu escravo". Frase extraída de Gladiador 2, de Ridley Scott (Gladiador, 2000), um filme, dentro do esperado (que era absolutamente nada), até que satisfatório. Obs: confesso que ao ver o logo da Scott Free (a produtora dos irmãos Scott) na tela, eu quase chorei por lembrar do grande e saudoso Tony Scott (Fome de Viver, 1983).

Uma coisa é fato, Ridley Scott continua sendo imbatível no quesito direção de cenas de batalha. Porém, o uso excessivo de CGI (computação gráfica), torna algumas sequências do filme bastante artificiais. E, neste caso, é mesmo triste ver que até um velho adepto dos efeitos práticos acabou optando peia solução fácil e, muitas vezes, ineficiente.
Outro problema claramente visível é a inadequação de Paul Mescal (Todos Nós Desconhecidos, 2023) ao papel de protagonista, pois, sinceramente, embora seja bom ator, o fato é que ele não possui nem mesmo um terço do carisma de Russell Crowe (Gladiador, 2000) dar conta de um papel que tanto necessita da empatia do público em relação ao personagem.
Denzel Washington (Malcolm X, 1992), pra variar, rouba a cena vivendo uma espécie de vilão na trama.
Outro ponto fraco de Gladiador 2 é a atuação pouco inspirada de Pedro Pascal (Estranha Forma de Vida, 2023) vivendo uma espécie de general das tropas romanas. Ele que, até então, vinha sendo tratado como "o cara" da nova geração de atores de Hollywood , aqui, realmente não mostra a que veio.

Enfim, 24 anos após a realização de Gladiador, seu sucessor - um autêntico filmaço -, embora possua lá seus méritos técnicos, simplesmente não chega aos pés do filme original. Mas, é um bom filme de entretenimento.






































