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SUSPENSE POLICIAL GENÉRICO, MAS SALVO PELAS ÓTIMAS ATRIZES


por Ricardo Corsetti 


O cinema norte-americano mainstream (comercial) dos anos 90 foi marcado por excelentes suspenses policiais, tais como: O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991) e Seven - Os Sete Pecados Capitais (David Fincher, 1995), só pra citar alguns dos melhores exemplos deste subgênero que, infelizmente, parece não ter necessariamente uma continuidade ao longo dos anos 2000 (nem mesmo em sua primeira década).


Nesse sentido, Por Trás da Verdade, de alguma forma parece tentar recriar essa atmosfera tão característica dos filmes realizados na época mencionada, mas patina em meio a uma trama bastante previsível e também numa certa pressa para resolver o "mistério" que se propõe a desenvolver.


A direção é ok, embora remeta bastante à línguagem e estética característica dos telefilmes (outra clara referência aos anos 90), o que também contribui para uma relativa ausência de profundidade.


Sem a menor dúvida, o que realmente se destaca em Por Trás da Verdade, é o inegável talento da já veterana protagonista Hilary Swank (Meninos Não Choram, 1999) e também da jovem Olivia Cooke (O Som do Silêncio, 2021). 

Ver o embate inicial que acaba se tornando identificação e reciprocidade entre elas, realmente vale o filme que, embora pouco inspirado e nada inovador em outros aspectos, ao menos nos proporciona este competente "duelo" e posterior união de duas almas atormentadas em busca da verdade por trás das aparências.




PASSANDO UM TANTO LONGE DO ALVO


por Ricardo Corsetti


Embora seja fato que o Brasil (ou mais especificamente, o cinema brasileiro) sempre teve vocação para o humor, no entanto, ao contrário do que ocorria no tempo das lendárias Chanchadas da década de 50, ou até mesmo em sua "reencarnação" na década de 70, como Pornochanchada; esse humor tipicamente brasileiro acabou perdendo sua eficiência e sobretudo, sua espontaneidade, graças ao padrão, ou melhor, à linguagem televisiva que se estabeleceu como formato padrão no gênero comédia a partir do início dos anos 2000, durante a chamada "retomada" da produção cinematográfica brasileira.


Nesse sentido, De Repente, Miss, infelizmente, não vai muito além de romper com o já desgastado formato de esquete de programa humorístico televisivo presente em 99% das comédias brasileiras realizadas nos últimos 20 anos, pelo menos. E, talvez sejam justamente as amarras impostas por esse formato pseudo-televisivo, que me fizeram achar tão primária a decupagem (escolha de planos e ângulos de filmagem) utilizada pelo estranhamente experiente diretor Hsu Chien (Desapega, 2022).


Só mesmo o carisma de Fabiana Karla (Lucicreide Vai Pro Céu, 2021) consegue, em alguns momentos do filme, torná-lo minimamente agradável e divertido de se ver. Danielle Winitz (Os Farofeiros, 2018), por sua vez, como é usual, parece interpretar a si mesma, ao viver a até que divertida "vilã" da trama.


Pouco inspirado e pouco criativo, De Repente, Miss, em resumo, rende alguns poucos momentos de riso e empatia em relação a sua protagonista. No mais, infelizmente, ficou mesmo apenas na intenção de nos fazer rir.





PARA FICAR POOH DA VIDA


por Antônio de Freitas


Após um ano do lançamento do primeiro filme sobre a versão de terror da fábula do famoso e adorado urso, Ursinho Pooh: Sangue e Mel II (Winnie the Pooh: Blood and Honey II, 2024) chega às telas tupiniquins prometendo mais sangue do que seu antecessor e revelando a decadência da onda do retorno dos "Slashers Movies”. Como em diversos aspectos da política e cultura que repetem eventos do século XX, esta moda cumpre a mesma trajetória da primeira onda que nasceu no final da década de 70 e sua queda quando os “bons” exemplares do gênero começaram a dividir espaço com “filmecos” oportunistas com histórias que serviam apenas como justificativa para exibirem cenas de assassinatos bizarros.


Em 2016 foi exibido nos cinemas o descerebrado Aterrorizante (Damien Leone, 2016) fazendo um sucesso respeitável com suas cenas de violência explícita usando toneladas de sangue e tripas com um fiozinho de roteiro que só existia para oferecerem um espetáculo para lá de sanguinolento. E fez dinheiro suficiente para bancarem uma continuação em 2022, que apenas repetiu a fórmula de gosto duvidoso do original.


Em 2023 lançaram Ursinho Pooh: Sangue e Mel (Winnie the Pooh: Blood and Honey, 2023) que seguia uma fórmula já explorada, que é a de dar pinceladas de terror em fábulas infantis. Mas usava as mesmas artimanhas do filme do pierrô branquelo, enchendo a tela com o maior número de mortes violentas que coubessem em um roteiro mixuruca. E, neste caso, a continuação demorou apenas um ano para ser feita e vem com um orçamento mais alto que está bem evidente na melhoria das imagens, efeitos especiais e valores de produção. Mas, infelizmente, com as mesmas “qualidades” do primeiro filme.


É uma direta continuação do original e nos apresenta o protagonista Cris Robbin (Scott Chambers) vivendo com os traumas da carnificina anterior e suportando a desconfiança dos moradores da cidade onde mora, que acham que ele teve alguma coisa a ver com aquele banho de sangue. Enquanto isso, os vilões do filme (as versões monstruosas dos famosos personagens) são apresentados em seu covil tramando para acabar com a cidade inteira em cena irritantemente explicativa.


E são vistos de forma bem explícita, que nos permite perceber a melhora dos efeitos de maquiagem nesta produção. Se no anterior pareciam apenas homens vestindo máscaras de borracha, nesta são homens vestindo máscaras que tentam parecer que são a pele real das criaturas, chegando a convencer no escuro. Mas o efeito se vai quando se nota que o Ursinho Monstro é um homem alto e magro (no primeiro, ao menos, parecia gordinho como um urso) com uma ridícula barriga falsa que fica mudando de lugar durante o filme. Em momentos parece uma barriga estufada de uma grávida e, em outros, uma pança caída de senhor cervejeiro ou peito estufado.


Após a apresentação via desenhos com uma narração e as breves cenas dos personagens principais começa a montanha russa lotada de mortes bizarras. Um desenrolar de cenas com erros terríveis de continuidade, onde pessoas estão em uma cena com o rosto limpo para depois aparecerem banhadas em sangue segundos depois; o protagonista está em uma boate no centro da cidade e, em segundos, está no meio do mato; objetos aparecem sem nenhuma explicação só para atender as necessidades do roteiro.


Apesar de aparentar ter muito mais dinheiro, o roteiro é capenga, com personagens estereotipados e mal apresentados que surgem do nada para serem assassinados minutos depois ou para discursarem explicando a história.


O protagonista é vivido por um ator completamente inexpressivo, que desfila no filme inteiro com uma cara de ressaca de calmantes. Sua trajetória é daquele manjado personagem que precisa provar sua inocência enquanto tenta avisar sobre a ameaça pairando sobre a cidade, onde todo mundo age como idiota saindo para passear numa floresta, apesar da notícia sobre os assassinatos cometidos ali.


Nota-se uma fotografia trabalhada, uma trilha sonora eficiente e alguns enquadramentos bons, mas temos uma enxurrada de clichês em uma história tosca com um mistério forçado, que leva à uma explicação cuja função é dar uma certa unidade ao conjunto de filmes que vão passar de apenas dois, pois deixam bem claro que vai ter uma continuação.


É uma repetição de todas as fórmulas banais de filme de terror barato que deram ao filme a maioria dos prêmios de pior do ano na entrega do Framboesa de Ouro de 2024. E nos dão o motivo para ninguém se dar ao trabalho de ir ao cinema e pagar caro pelo ingresso e pipoca. Melhor esperar para quando estiver em algum streaming e ver só quando não tiver nada para fazer. Se for ao cinema, você vai ficar POOHHH DA VIDA!!!!



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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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