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TENTANDO DRIBLAR O MAINSTREAM

por Ricardo Corsetti

Claramente (e oficialmente) inspirado na canção homônima do cantor e compositor cearense Belchior (1946-2017), o primeiro longa do jovem diretor paulista Gabriel Alvim - Velha Roupa Colorida - celebra temas como a amizade, os sonhos de juventude e o praticamente inevitável choque de valores caros à juventude ao longo do processo de amadurecimento.

De produção modesta e sem a presença de grandes estrelas televisivas (como costuma ser de praxe no cinema brasileiro contemporâneo), o diretor/roteirista aposta quase que unicamente na singeleza de sua história para cativar o público.

Em determinados momentos acaba caindo no lugar comum de retratar o processo de amadurecimento e necessidade de adaptação, digamos assim, às "regras do jogo" do sistema, como tortuoso e, aliás, como se não se tratasse, a final das contas, de uma escolha pessoal de cada um de nós, se adaptar ou não às tais regras do jogo.


Mas em termos gerais, o filme é leve e embalado por boas canções de novas bandas de pop rock, como o Sara Não Tem Nome e Caio Falcão e o Bando, por exemplo.



Enquanto filme de frescor juvenil e sem maiores pretensões, Velha Roupa Colorida cumpre relativamente bem seu papel no sentido de demonstrar que é possível o surgimento de novos talentos num mercado tão competitivo e, ao mesmo tempo, tão concentrado em pouquíssimas mãos, como é na prática o universo audiovisual brasileiro.




Atualizado: 29 de mai. de 2021


ECOS DOS ANOS 90

por Ricardo Corsetti Os já saudosos anos 90 foram célebres em se tratando de realizar uma série de "thrillers eróticos", com alguns dos mais bem sucedidos filmes do período, pérolas como Instinto Selvagem (Paul Verhoeven, 1992) e Orquídea Selvagem (Zalman King, 1990), por exemplo, levaram multidões aos cinemas. Dito isso, Infidelidade (2019), dirigido pelo espanhol Victor García (A Amaldiçoada, 2015) bebe claramente nessa fonte e o faz com relativa competência, embora sem apresentar maiores novidades ao subgênero.

Aliás, no meu entender Infidelidade na verdade se assemelha muito mais ao clássico filme "noventista" Morando com o Perigo (1990), dirigido por John Schelesinger, no qual víamos o mesmo jogo de sedução e tortura psicológica estabelecido entre um casal e seu sequestrador. Porém, ao contrário do que ocorria no clássico filme de referência, em Infidelidade quem realmente se destaca não é a figura do psicótico sequestrador, mas sim sua vítima, vivida pela bela e charmosíssima Claire Forlani (Encontro Marcado, 1998). Graças a um protagonista insípido, a experiente e carismática atriz realmente rouba a cena e acaba conduzindo toda a trama que havia se desenrolado a partir do que deveria ser um jogo de manipulação entre um casal de adúlteros e seu sequestrador (ou punidor).

Embora sem maiores novidades a acrescentar ao subgênero thriller erótico chique, Infidelidade cumpre relativamente bem sua função de entreter e às vezes até deliciar o espectador com sua trama sensual razoavelmente perversa.

*Já disponível para locação e venda mas seguintes plataformas:

Now, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft, iTunes e Sky Play.







SAUDADES DO ORIGINAL

por Jhuliano Castilho


Seria melhor que Mortal Kombat viesse acompanhado de um joystick, pois o filme se resume a cenas de "fatality" que faltaram no original de 1995. Trazendo diversos furos de roteiro, decisões contestáveis e atuações preguiçosas, a nova adaptação comprova que realmente era melhor não terem realizado este novo filme baseado no game. Com esta adaptação cinematográfica finalmente liberada após décadas, Mortal Kombat 2021 reapresenta personagens icônicos às telas.



O filme se inicia de forma até que bem interessante, lembrando muito a animação Mortal Kombat Legends: Scorpion's Revenge de 2020, que conta a história épica do assassinato da família de Hanzo Hasashi (Hiroyuki Sanada - Scorpion) por Joe Taslim (Sub-Zero). Parece que vai ser um filmão, graças a uma cena muito boa de luta, sangue e efeitos especiais de gelo muito legais, mas, assim como no filme original de 1995, temos Raiden (Tadabonu Asano) que nem se compara ao carisma de Christopher Lander na versão original, preparando um grupo para defender a Terra do maléfico Shang Tsung (Chin Han), onde serão reunidos Liu Kang (Ludi Lin), que na versão original era o protagonista e aqui ressurge do nada sem revelar qualquer coisa a respeito de sua história, com exceção de alguns breves diálogos expositivos, Jax Briggs (Mehcad Brooks) - outro que tenta alçar um arco dramático, mas acaba se resumindo a um personagem raso e sem expressão -, Kano (Josh Lawson), que se torna uma espécie de alívio cômico, fazendo algumas piadas sem graça, sendo um lutador escolhido que mal sabe lutar, nos fazendo pensar: por que ele tem a marca e por que foi convidado ao torneio? E ainda o protagonista Cole Young (Lewis Tan), mais genérico e desnecessário impossível, pois é um personagem que simplesmente não existe no game tentando alçar um arco dramático, mas a verdade é que não fede e nem cheira. Young foi criado excepcionalmente para o longa, porém a falta de aspectos de protagonista não se revela apenas no roteiro, mas também na própria atuação de Lewis Tan, que em vez de se comportar como um autêntico protagonista, se comporta como um personagem terciário. Por isso, ao longo do filme você acaba esquecendo que Young é o protagonista ou até mesmo que ele está no filme, nos fazendo, mais uma vez, nos perguntar por que não utilizaram um dos próprios personagens da vasta galeria de lutadores do autêntico Mortal Kombat.



A tom das atuações é o maior destaque do filme, pelo lado negativo, é claro. Creio que, se pusessem macacos atuando teríamos textos melhor falados e expressões faciais mais convincentes do que as observadas neste elenco formado por dublês de cenas de ação.


O falta de brilho do elenco (e não só em termos de atuação) é evidente no decorrer de todo o longa, colaborando para que ele se arraste num ritmo extremamente lento. Os únicos personagens que parecem entender minimamente seus papéis são Sonya Blade (Jessica McNamee), que até consegue atuar um pouco, mas é humilhada a maior parte do tempo por ser a única que não possui a marca para participar do torneio, criando assim para ela um arco mais interessante do que o dos demais personagens. Porém, ela fica de fora da ação em boa parte do filme. Kano e Scorpion (Hiroyuki Sanada) também apresentam atuações acima da média do filme, podendo com isso deixar o público com aquela sensação de "quero mais" em relação às suas aparições.



Ao que parece, ao realizarem este filme, os produtores pensaram em tudo aquilo que foi pedido na época da realização da versão original de 1995, pois o filme que resultou naquele momento, embora baseado numa franquia de games caracterizada por sangue e vísceras expostas na tela; nada disso existia.


Na nova versão, ao menos, isto há, até certo ponto. Caso você vá assistir ao filme em busca de sangue, terá logo nos primeiros minutos e também no último ato. No entanto, em boa parte do novo Mortal Kombat você verá muita enrolação sem graça e sem ritmo, aguardando ansiosamente pelo último ato, recheado dos "fatalities" que esperávamos ver no filme de 1995. Aqui podemos acompanhar uma carnificina sem igual. Todavia, personagens que poderiam ser melhor explorados dentro desse universo ou mesmo em outros títulos, acabam sendo descartados de maneira duvidosa e pífia. Isso será facilmente observável.


E por falar em questões duvidosas, temos ainda vários aspectos do roteiro que, muitas vezes, sequer se dá ao trabalho de explicar situações de "como o personagem chegou ali" ou de "como fez isso"? É compreensível que a adaptação prefira focar mais no combate, mas são poucas as lutas que parecem realmente interessantes, já que na maioria dos casos a coreografia de luta se encerra em poucos golpes. Portanto, o que deveria ser o material principal (roteiro e lutas) para gerar empatia do público em relação à trama, acaba se perdendo em meio a grandes furos de roteiro, gerando a vontade no espectador de suplicar por um "fatality" para não ter que ver o resto do filme.


Traduzindo essa nova adaptação de Mortal Kombat numa frase, podemos utilizar a de Chicó (Selton Mello) em O Auto da Compadecida (de Ariano Suassuna): "Não sei, só sei que foi assim", já que boa parte das decisões do longa são deveras contestáveis. Além de todas as falhas já citadas, há também um erro ainda maior que jamais poderia acontecer numa adaptação de Mortal Kombat: deixaram de fora a brilhante trilha sonora do filme original. Em resumo, eis um filme de game que deveria ter continuado apenas como game.




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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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